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O Humanismo e Renascimento
 
Escrito por Gilberto Miranda Jr, em 07-06-2009 17:44
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Leitura 1126    
Introdução

O
presente trabalho tem como objetivo o entendimento do período da Idade Moderna iniciada a partir do desgaste das respostas construídas pela Idade Média para a questão do homem, da verdade e da sociedade. Entendendo que o olhar filosófico sobre a História sempre tem como objeto a construção de um sentido argumentado de uma leitura, apresento nesse trabalho apenas uma resenha e a análise dos textos escolhidos e com apoio de outros textos e autores que tive a oportunidade de consultar.


Os autores consultados são unânimes no entendimento de que o termo Renascença, embora tenha como característica fundamental a busca de referência na antiguidade, se coloca “a partir dela” e não “nela” para se firmar enquanto movimento. A busca de referências antigas, perdidas ou com enfoque diverso na Idade Média, desloca a noção de Homem, enquanto gênero ou espécie, de mero reprodutor e legitimador de uma estrutura hierarquizada, cujo topo se encontra o clero e a nobreza, para valorizar o gênero como um todo em sua capacidade de inovação (criativa, intelectual e espiritual); inclusive para interpretar à seu modo essa realidade que agora sai da mão da autoridade para se tornar propriedade do Homem dentro da História.

O ser humano como microcosmo que reproduz em si a perfeição do universo criado, é tema recorrente nesse pensamento. Embora haja certa controvérsia em termos de datas em que teria se iniciado esse período histórico, é possível detectar aspectos que identifiquem sua incipiência. O humanismo enquanto concepção do mundo centralizada no Homem é um traço fundamental do período renascentista e sobre isso os autores concordam. A mudança então, a despeito de datas ou algum marco específico, identifica-se por um deslocamento cosmovisionário teocêntrico para antropocêntrico.

Última Atualização: 07-06-2009 18:15

Publicado em : Filosofia Moderna, Renascimento e Humanismo
Palavras-Chaves (tags) : Filosofia Moderna, Renascimento e Humanismo, O Humanismo e Renascimento, Gilberto Miranda Junior
Utilitarismo: dois problemas
 
Escrito por Sagid Salles Ferreira, em 29-03-2009 00:00
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Leitura 1002    

RESUMO

Este texto oferece uma resposta à duas das principais acusações ao utilitarismo, uma das doutrinas éticas mais discutidas na filosofia contemporânea. O principio utilitarista pode ser resumido de uma maneira bem simples, ele afirma que a ação correta é aquela que promove o maior grau de felicidade para o maior número de pessoas. A primeira crítica trabalhada por mim neste artigo é conhecida como “argumento da impessoalidade”. Segundo os defensores desse argumento o utilitarismo torna o homem a tal ponto impessoal que não seria mais capaz de levar em conta os valores individuais de cada pessoa. Tudo seria permitido (tortura de prisioneiros, assassinato, etc.), desde que promovesse a maior felicidade geral, e assim acabaríamos numa ditadura da maioria. A outra objeção ao utilitarismo afirma que há circunstâncias onde não temos tempo para calcular se a conseqüência de nossa ação será a maior felicidade geral. Neste contexto, para aplicar corretamente o seu princípio deveríamos ser verdadeiras máquinas de calcular.

Argumentarei que nenhuma dessas críticas é de fato decisiva contra o utilitarismo. Tentarei mostrar que essa teoria ética continua sendo uma boa alternativa. Minha argumentação será baseada principalmente em dois autores, quais sejam, John Stuart Mill (um dos defensores mais proeminentes dessa doutrina) e Philip Pettit. Concluirei que, embora a primeira acusação seja realmente um problema para o utilitarista, é também um problema para qualquer teoria ética. Quanto a segunda objeção, concluirei que o utilitarista não precisa aceita-la.

Última Atualização: 29-03-2009 05:03

Publicado em : Temas de Filosofia, Ética e Moral
Palavras-Chaves (tags) : Temas Filosóficos, Ética e Moral, Utilitarismo: dois problemas
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  • 10:52 - 17.12.2007 Temas Filosóficos >> Estética e Arte

    A teoria tem tido um papel central na estética e ainda é a preocupação da filosofia da arte. A sua maior preocupação continua a ser, assumidamente, a determinação da natureza da arte, que possa ser formulada por meio de uma definição. Ela concebe a definição como a afirmação das propriedades necessárias e suficientes daquilo que está a ser definido, e esta afirmação diz algo de verdadeiro ou falso acerca da essência da arte, acerca daquilo que a caracteriza e a distingue de tudo o resto. Cada uma das grandes teorias da arte -- formalismo, voluntarismo, emocionalismo, intelectualismo, intuicionismo, organicismo -- converge na tentativa de enunciar as propriedades definidoras da arte. Cada uma delas reclama ser a verdadeira teoria por ter formulado correctamente a verdadeira definição da natureza da arte; e reivindica que as restantes teorias são falsas por terem deixado de fora alguma propriedade necessária ou suficiente. Muitos especialistas mantêm que o seu empreendimento não é um mero exercício intelectual, mas antes uma necessidade absoluta para qualquer compreensão da arte e da nossa correcta avaliação artística. Eles afirmam que, a não ser que saibamos o que é a arte, quais as suas propriedades necessárias e suficientes, não podemos reagir adequadamente à arte nem dizer por que razão uma obra é boa ou melhor do que outra. Assim, a teoria estética não só é importante em si mesma, mas também em relação aos fundamentos quer da apreciação quer da crítica de arte. Os filósofos, os críticos e mesmo os artistas que escreveram sobre arte, concordam que o que é primário em estética é a teoria acerca da sua natureza.

    Será a teoria estética possível, no sentido de uma definição verdadeira ou de um conjunto de propriedades necessárias e suficientes da arte? Mais que não seja, a própria história da estética obriga-nos a fazer uma pausa. Além da existência de várias teorias, parece não estarmos hoje mais perto do nosso objectivo do que estávamos no tempo de Platão. Cada época, cada movimento artístico, cada filosofia da arte, tentou vezes sem conta estabelecer o seu ideal para depois ser sucedida por uma teoria nova ou revista, a qual se baseou, pelo menos em parte, na rejeição das teorias precedentes. Mesmo hoje, quase todos aqueles que se interessam por questões estéticas continuam profundamente ligados à esperança de que aparecerá uma teoria correcta da arte. Basta inspeccionar os numerosos livros novos sobre arte nos quais novas definições são apresentadas, ou, especialmente no nosso país, os manuais e antologias básicas para reconhecermos quão forte é a prioridade dada a uma teoria da arte.

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  • 19:57 - 21.12.2007 Temas Filosóficos >> Lógica e Linguagem

    por Oswaldo Chateaubriand

    A lógica se apresenta na prática contemporânea como uma multiplicidade de sistemas formais conceitualizados lingüística e matematicamente. Uma lógica (e, de modo mais geral, um sistema formal) é concebida como uma linguagem composta de uma sintaxe e de uma semântica. A sintaxe inclui tudo o que pode ser tratado como uma combinatória de símbolos, sem considerar quaisquer conteúdos que esses símbolos possam ter - isto é, sem considerar o que os símbolos simbolizam.

    A formulação da linguagem (a gramática) é um aspecto central da sintaxe, mas esta não se restringe à gramática. Também a prova é tratada sintaticamente como constituída de operações (isto é, regras de inferência) realizadas sobre seqüências de símbolos de certas categorias como fórmulas e sentenças. Considerando uma totalidade de aplicações dessas operações pode-se definir as noções de dedução lógica, consistência lógica e teorema lógico, que juntamente com certas noções de definição (definição abreviativa, definição recursiva), são as principais noções sintáticas da lógica.

    A semântica de uma linguagem lógica é baseada na noção de interpretação (ou de estrutura). Esta é uma noção que pertence principalmente à teoria de conjuntos e que envolve um universo de discurso - um conjunto não vazio - e uma função de denotação que atribui a vários símbolos denotações relativas ao universo de discurso. Pode-se, assim, introduzir as noções de satisfação e verdade relativas a uma interpretação. Considerando uma totalidade de interpretações, pode-se definir as noções de conseqüência lógica, satisfatibilidade e verdade lógica, bem como uma noção semântica de definição como individuação, que são as principais noções semânticas da lógica.

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  • 21:11 - 21.12.2007 Temas Filosóficos >> Lógica e Linguagem

    por Mark Sainsbury

    Há uma velha tradição segundo a qual há dois ramos da lógica: a lógica dedutiva e a indutiva. Mais recentemente, as diferenças entre estas disciplinas tornaram-se tão profundas que a maior parte das pessoas usam hoje em dia o termo "lógica" com o significado de lógica dedutiva, reservando termos como "teoria da confirmação" para abranger pelo menos parte do que se costumava chamar "lógica indutiva". Irei seguir a prática mais recente, interpretando "filosofia da lógica" como "filosofia da lógica dedutiva". Nesta secção, irei tentar mostrar as diferenças entre as duas disciplinas, e indicar brevemente as razões pelas quais as pessoas pensam que a lógica indutiva não é realmente lógica.

    [Uma] maneira de as premissas de um argumento constituírem boas razões a favor da sua conclusão é quando a conclusão se segue das premissas. Vamos chamar "válido" a qualquer argumento cuja conclusão se siga das suas premissas. Um teste inicial de validade é o seguinte. Perguntamos: será possível que as premissas sejam verdadeiras mas a conclusão falsa? No caso do argumento "O Henrique é um dramaturgo e alguns dramaturgos são pobres. Logo, o Henrique é pobre" a resposta é "Sim". Mesmo que alguns dramaturgos sejam pobres, é possível que outros, talvez até a maioria, sejam ricos, e que o Henrique seja um destes outros. Em geral, um argumento é válido unicamente se for impossível que as premissas sejam todas verdadeiras mas a conclusão falsa. Poderemos ter a esperança de distinguir a lógica dedutiva da indutiva dizendo que a primeira, mas não a segunda, se ocupa da validade?

    Considerem-se dois argumentos que ocorrem em centenas de manuais escolares:

    1. Todos os homens são mortais. Sócrates é um homem. Logo, Sócrates é mortal.
    2. O Sol nasceu todas as manhãs até hoje. Logo, (é provável que) nasça amanhã.

    O primeiro é um exemplo canónico de um argumento classificado como válido pela lógica dedutiva. O segundo é um argumento que não é classificado como válido pela lógica dedutiva. Contudo, o lógico indutivo deve atribuir ao último um estatuto favorável qualquer. Sem dúvida que as razões que as premissas do argumento 2 nos dão a favor da sua conclusão são muito melhores do que as razões dadas pela mesma premissa a favor da conclusão oposta:

    3. O Sol nasceu todas as manhãs até hoje. Logo, (é provável que) não nasça amanhã.

    Isto pode parecer um argumento tolo, mas aparentemente é qualquer coisa como isto que dá vida a alguns apostadores. A "Falácia de Monte Carlo" consiste na crença de que se o vermelho saiu várias vezes na roleta, é mais provável que da próxima vez saia o preto. O lógico dedutivo contrasta os argumentos 1 e 2 dizendo que o primeiro, mas não o segundo, é válido. O lógico indutivo irá contrastar os argumentos 2 e 3 — provavelmente sem usar a palavra "válido", mas dizendo talvez que 2, ao contrário de 3, é "indutivamente forte". As premissas de 2, mas não as de 3, fornecem fortes razões a favor da sua conclusão.

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  • 12:15 - 15.12.2007 Temas Filosóficos >> Retórica e Oratória

    Paulo Serra, Universidade da Beira Interior
    Ano lectivo 1995/96

    I. INTRODUÇÃO
    II. DA RETÓRICA À TEORIA DA ARGUMENTAÇÃO
    1. A RETÓRICA ANTIGA
    2. PERELMAN E A "NOVA RETÓRICA"
    III. DUCROT: A ARGUMENTAÇÃO NA LÍNGUA
    1. ARGUMENTAÇÃO E RACIOCÍNIO
    2. OPERADORES E CONECTORES ARGUMENTATIVOS
    3. CLASSES E ESCALAS ARGUMENTATIVAS
    4. O PRESSUPOSTO E O IMPLÍCITO
    IV. ANÁLISE DE UM TEXTO DE PLATÃO
    1. SITUAÇÃO DE DISCURSO
    2. A LÓGICA DA ARGUMENTAÇÃO
    3. CLASSES E ESCALAS ARGUMENTATIVAS
    4. O PRESSUPOSTO E O IMPLÍCITO
    4.1. O PRESSUPOSTO
    4.2. O IMPLÍCITO
    5. OS ACTOS ILOCUTÓRIOS
    6. OPERADORES E CONECTORES ARGUMENTATIVOS
    NOTAS
    BIBLIOGRAFIA
    ANEXO

    I. INTRODUÇÃO

    É um lugar comum, hoje em dia, dizer-se que o século XX é o "século da linguagem".
    Factores como o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunica-ção (mediante as quais toda a experiência humana tende a tornar-se linguagem e comuni-cação), a consolidação dos regimes democráticos (em que a palavra, e não a violência ou a força, se assume como instrumento da actividade política), a "crise de fundamentos" que sacudiu as Matemáticas nos princípios do século, o desenvolvimento científico e técnico em geral, vêm trazer para primeiro plano a necessidade de estudar os fenómenos da comunicação e da linguagem. Como resultado desta necessidade, a problemática da linguagem "invadiu as ciências humanas e a filosofia." (Meyer, 1992: 5).

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  • 19:04 - 05.12.2007 Nascimento da Filosofia >> Bases Históricas

    Séculos XX-XII a.C.

    greciaSob o ponto de vista geográfico , podemos dividir o território grego em três regiões : Grécia Continental , Grécia Peninsular e Grécia Insular . O relevo grego é montanhoso e dificulta as comunicações internas. O recortamento do litoral e a presença de ilhas facilitam a comunicação com o exterior .

     

    Os primeiros povos indo-europeus a chegar á Grécia foram os aqueus , que dominaram os primitivos pelágios ,de origem desconhecida. Os aqueus fundaram diversas cidades , como Micenas a mais famosa . Os habitantes de Micenas entraram em contato com a ilha de Creta , surgindo a cultura creto-micênica. Dominaram os cretenses , destruindo Cnossos em 1400 a . C . Avançaram em direção a Tróia , na entrada do Mar Negro .

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  • 07:18 - 06.01.2008 Temas Filosóficos >> Filosofia Política

    ColaboracaoO padrão de produção e consumo típico do capitalismo, e hegemônico há séculos, está em crise. Em seu lugar, emergem relações sociais mais sustentáveis, democráticas e... prazeirosas.

    Texto de Ladislau Dowbor – in Le Monde Diplomatic

    O deslocamento sísmico mais importante na teoria econômica se refere ao gradual esgotamento da competição como principal instrumento de regulação econômica, além de principal conceito na análise da motivação, da força propulsora que estaria por trás das nossas decisões econômicas.

    A visão herdada, é que se nos esforçarmos todos o máximo possível para obter o máximo de vantagem pessoal na corrida econômica, no conjunto tudo vai avançar mais rápido. Misturando a visão de Adam Smith sobre a soma de vantagens individuais, de Jeremy Bentham e Stuart Mill sobre o utilitarismo, e de Charles Darwin sobre a sobrevivência do mais apto, geramos um tipo de guerra de todos contra todos, o que os americanos chamam de global rat race, que está se esgotando como mecanismo regulador, e que está inclusive nos levando a impasses planetários cada vez mais inquietantes.

    O que está despontando com cada vez mais força, é que somos condenados, se quisermos sobreviver, a desenvolver formas inteligentes de articulação entre os diversos objetivos econômicos, sociais, ambientais e culturais, e consequentemente formas inteligentes de colaboração entre os diversos atores que participam da construção social destes objetivos. O deslocamento sísmico consiste na gradual substituição do paradigma da competição pelo paradigma da colaboração.

    Hazel Henderson conta como “entrou” para a economia. Em Nova Iorque os apartamentos eram equipados com pequenos incineradores. Resolvia problemas individuais, mas o resultado era roupa suja nos varais de todos, crianças sujas nos parques onde a poeira negra se depositava, doenças respiratórias, etc. Quando protestou junto às autoridades, foi-lhe explicado que os incineradores geravam empregos, dinamizando a economia. Hazel ficou perplexa: construir com muito esforço coisas inúteis ou nocivas, é bom porque dinamiza a economia? E o esforço das mães que lavam a roupa e os filhos não é custo porque não custa? Não foi a máquina econômica que acabou com os incineradores, e sim o movimento de mães organizadas em torno aos seus interesses.

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  • 21:36 - 12.12.2007 Proto Filosofia >> A Origem do Homem

    Publicado em: Jornal Correio Popular, Campinas, 15/12/2000.
    Autor: Email: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email - Renato Sabbatini

    Quando Charles Darwin, na metade do século passado, percebeu o alcance de sua teoria sobre o mecanismo da evolução das espécies, ele ficou literalmente paralisado de medo. A conseqüência lógica e irrefutável de tudo o que ele tinha descoberto era que a espécie humana não teria sido criada separadamente dos outros seres vivos, como afirmavam as Escrituras das três maiores religiões monoteístas, mas sim evoluído a partir de espécies inferiores e já extintas, antecessoras dos macacos antropóides, como o chimpanzé, o gorila e o orangotango.

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  • 18:40 - 11.03.2008 Nascimento da Filosofia >> Pré-Socráticos (sec VII a V a.C.)

    Texto extraído de:

    REALE, Giovanni, ANTISERI, Dario. História da Filosofia. Volume I – Antiguidade e Idade Média. São Paulo. Editora Paullus, 1990 – Coleção Filosofia. p.35 – 38.

    Heráclito de Éfeso

    HeráclitoHeráclito de Éfeso viveu entre os séculos VI e V a. C. Tinha caráter desencontrado e temperamento esquivo e desdenhoso. Não quis participar de modo algum da vida pública, como registra uma fonte antiga: "Solicitado pelos concidadãos a elaborar as leis da cidade, recusou-se, porque elas já haviam caído no arbítrio por sua má constituição." Escreveu um livro intitulado Sobre a natureza, do qual chegaram até nós numerosos fragmentos, talvez constituído de uma série de aforismos e intencionalmente elaborado de modo obscuro e num estilo que recorda as sentenças oraculares, "para que dele se aproximassem somente aqueles que o podiam" e o vulgo se mantivesse distante. E o fez para evitar a depreciação e a desilusão daqueles que, lendo coisas aparentemente fáceis, acreditam entender aquilo que, no entanto, não entendem. Por isso, foi denominado "Heráclito, o Obscuro".

    Os filósofos de Mileto haviam notado o dinamismo universal das coisas, que nascem, crescem e perecem, bem como do mundo — aliás, dos mundos —, submetido ao mesmo processo. Além disso, haviam pensado o dinamismo como característica essencial do próprio "princípio" que gera, sustenta e reabsorve todas as coisas. Entretanto, não haviam levado adequadamente tal aspecto da realidade ao nível temático. E é precisamente isso o que faz Heráclito. "Tudo se move", "tudo escorre" (panta rhei), nada per­manece imóvel e fixo, tudo muda e se transmuta, sem exceção. Em dois de seus mais famosos fragmentos podemos ler: "Não se po de descer duas vezes o mesmo rio e não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado, pois, por causa da impetuosidade e da velocidade da mudança, ela se dispersa e se reúne, vem e vai. (...) Nós descemos e não descemos pelo mesmo rio, nós mesmos somos e não somos."
     
    E claro o sentido desses fragmentos: o rio é "aparentemente" sempre o mesmo, mas, "na realidade", é constituído por águas sempre novas e diferentes, que sobrevém e se dispersam. Por isso, não se pode descer duas vezes à mesma água do rio, precisamente porque ao se descer pela segunda vez já se trata de outra água que sobreveio. E também porque, nós mesmos mudamos: no momento em que completamos uma imersão no rio, já nos tornamos diferen­tes de como éramos quando nos movemos para nele imergir. Dessa forma, Heráclito pode muito bem dizer que nós entramos e não entramos no mesmo rio. E pode dizer também que nós somos e não somos, porque, para ser aquilo que somos em determinado momento, devemos não-ser-mais aquilo que éramos no momento anterior, do mesmo modo que, para continuarmos a ser, devemos continuamente não-ser-mais aquilo que somos em cada momento. E isso, segundo Heráclito, vale para toda realidade, sem exceção.

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  • 19:10 - 05.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Miranda

    Uma vida feliz, doce e sempre digna de ser vivida é o desejo de todo ser humano razoavelmente são. Mas como conseguir tal vida se a todo instante somos acometidos por variados desejos nunca satisfeitos e aspirações frustradas pelas contingências ? Epicuro nos ensina como conseguir tal coisa.

    Curiosamente, ao contrário do que muitos pensam, Epicuro não pregava o prazer pelo prazer, nem a satisfação de prazeres imediatos. Associam o Epicurismo ao Hedonismo de forma totalmente equivocada. Epicuro faz clara distinção entre prazeres inferiores e superiores, colocando-os como sensíveis e espirituais, respectivamente.

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  • 19:06 - 05.12.2007 Nascimento da Filosofia >> Pré-Socráticos (sec VII a V a.C.)

    parmenidesOs pré-socráticos são filósofos que viveram na Grécia Antiga e nas suas colônias. Assim são chamados pois são os que vieram antes de Sócrates, considerado um divisor de águas na filosofia. Muito pouco de suas obras está disponível, restando apenas fragmentos. O primeiro filósofo em que temos uma obra sistemática e com livros completos é Platão, depois Aristóteles. São chamados de filósofos da natureza, pois investigaram questões pertinentes a esta, como de que é feito o mundo. Romperam com a visão mítica e religiosa da natureza que prevalecia na época, adotando uma forma científica de pensar. Alguns se propuseram a explicar as transformações da natureza. Tinham preocupação cosmológica. A maior parte do que sabemos desses filósofos é encontrada na doxografia de Aristóteles, Platão, Simplício e na obra de Diógenes Laércio (século III d. C), Vida e obra dos filósofos ilustres. A partir do século VII a.C., há uma revolução monetária da Grécia, e advêm a ela inovações científicas. Isso colaborou com uma nova forma de pensar, mais racional. Os pré-socráticos inspiraram a interpretação de filósofos contemporâneos como Nietzsche, que nos iluminou com a sua obra A filosofia na época trágica dos Gregos e Hegel, que aplicou seu sistema na história da filosofia.

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  • 00:00 - 06.06.2008 Blogs dos Articulistas >> Atanásio Mykonios (Grego)

    Os mitos estão por toda parte. Somos mitológicos tanto quanto racionais. Por mais que o Ocidente se gabe de ter se afastado das relações mitológicas, elas nos perseguem e as recriamos cotidianamente. Não se trata simplesmente de uma superstição ou de um modo alienado de viver ou pensar as coisas que nos cercam, nem mesmo uma espécie de fetichismo que nos acompanha e regula a nossa existência. Os mitos são parte de nossa própria formação e com eles compreendemos o mundo e somos levados a uma relação muito pessoal, que nos dá medo e nos impinge obrigações ocultas. E dentre os mitos, constituímos os nossos fantasmas, que se transformam em patrimônio social.

    Carregamos nossos fantasmas. Todos os têm. A sociedade está repleta de fantasmas e alguns perniciosos e obscuros. Como se qualquer fantasma não o fosse. Creio que uma imensa maioria dos fantasmas é produto de nossa estrutura social, criação das nossas próprias relações sociais, são fantasmas históricos, profundamente enraizados em nossos costumes, em nossas culturas. Os fantasmas são mais humanos do que podemos imaginar.

    A sociedade moderna, que alguns dizem está já no fim, permanece com os estigmas dos fantasmas, que se confundem com mitos e seres teratológicos a nos envolver sorrateiramente pelas sendas da vida.
     
    No entanto, quanto mais a modernidade parece ter-nos dado certas autonomias, somos regulados por estruturas sociais que fogem ao nosso controle e mais uma vez, os mitos se revelam entre nós, quer queiramos ou não. Por outro lado, a racionalidade moderna também se esgotou e se transferiu para as formações sociais, uma vez que a arquitetura social teve como base as estruturas racionais que inauguraram a nossa fantasmagoria espetacular, dos tempos modernosos.

    Isto quer dizer que, entre outras tragédias, permanece entre nós uma certa noção de que temos controle sobre a nossa vida, mas isto é apenas uma ilusão, pois a capacidade de interferir em nossos próprios destinos fica cada vez mais distante de nós mesmos e com isto, infere-se a condição de que estamos presos a mecanismos burocráticos, formais, institucionais e qual a conseqüência?

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  • 00:00 - 29.03.2009 Temas Filosóficos >> Ética e Moral

    Problemas sociais e a necessidade no pensamento de Spinoza Dentro de todo um contexto Filosófico cultural faz-se relevancia refletir um pouco do a relação entre a Filosofia Spnoziana e a nossa realidade, a realidade nossa de cada dia que vai formando e efetuando a história. Nesse sentido o diálogo só se dá dentro de uma reflexão onde tem-se como horizonte a ética e a moral, que são evidentemente correlacionadas com a ação do homem.

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  • 00:00 - 29.03.2009 Temas Filosóficos >> Estética e Arte

    As ferramentas tecnológicas nos permitem maior “tempo” na elaboração do espectro total da obra e sua real inclusão na pós modernidade?

    Valia mais o tempo que um artista clássico ( conhecidamente Rembrandt... ) dedicava à observar, compor, observar novamente seu modelo para dele retirar características a serem reunidas, depois, na composição física da obra, demandando, a partir daí, ainda mais tempo dedicado à tecnica, escolha de materiais, meios, luz, etc... ; ou o tempo dedicado por um artista contemporâneo que tem acesso às ferramentas tecnológicas que o tornam mais disponível para o processo de conceitualização da obra?






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  • 03:58 - 22.12.2007 Escolas Filosóficas >> Ceticismo

    por Sara Bizarro

    "O Céptico é outro inimigo da religião, que naturalmente provoca a indignação de todos os teólogos e filósofos mais meditabundos, embora seja certo que ninguém encontrou alguma vez uma tal absurda criatura, ou conversou com um homem que não tivesse nenhuma opinião ou princípio relativo a qualquer assunto, quer de acção, quer de especulação. Isto gera uma questão muito natural: o que significa ser um céptico? E até que ponto é possível instigar os princípios filosóficos da dúvida e da incerteza?"

    Enquiry, secção XXII, Parte I, §166

    David Hume é tradicionalmente classificado como uma filósofo céptico e até mesmo irracionalista. Mas, o que significa ser um céptico? Neste ensaio vou tentar clarificar em que sentido é que Hume pode ser considerado um céptico e que tipo de cepticismo lhe pode ser coerentemente atribuído.

    O ensaio está dividido em três partes. Na primeira parte começarei por caracterizar o cepticismo radical, que é a versão tradicional do cepticismo. Defenderei que este tipo de cepticismo, sendo auto-refutante e abstracto, não podia ser o defendido por Hume. Caracterizarei em seguida o cepticismo epistemológico, diferente do cepticismo radical (uma espécie de falibilismo). Defenderei que Hume é partidário de um cepticismo epistemológico moderado.

    Na segunda parte tentarei caracterizar aquilo que se costuma chamar "o lado construtivo da filosofia de Hume". Perante o dilema (ou pseudo-dilema) céptico, ou seja, perante a não fundamentação dedutiva do nosso conhecimento comum, Hume propõe o hábito como sendo simultaneamente a origem e a explicação das crenças humanas básicas. Esta solução, também chamada de "solução céptica", pode ser utilizada por quem queira defender a interpretação irracionalista da filosofia de Hume. No entanto, esta defesa só poderá ser considerada se o hábito for tomado como um propensão subjectiva mais ou menos irregular, o que não é o caso na filosofia de Hume. Para sublinhar o carácter não subjectivo e universal do hábito apresentarei a definição que Hume dá do hábito como instinto e introduzirei a ideia de "sabedoria da natureza" como estando na origem dessa propensão universal.

    Na terceira parte, tentarei mostrar como a ideia de um Hume céptico é incompatível com a ideia de um Hume anti-metafísico (má metafísica); como o temperamento científico de Hume dá indicação de que ele não é um céptico no sentido forte; e como o cepticismo não é um resultado da filosofia de Hume mas apenas um instrumento ao serviço tanto da vida comum como das novas ciências da natureza. Para mostrar isto será também necessário clarificar o conceito(s) de razão implícitos nesta discussão e descartar definitivamente a hipótese irracionalista.

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  • 16:42 - 06.12.2007 Biografias >> Wittgenstein

    No Tractatus, as proposições e a linguagem em geral repousam na noção de "nome", o qual é definido pelo autor como um signo simples empregado nas sentenças. O signo simples não é composto por outros signos, como é o caso, por exemplo, da expressão "as ruas da capital da Inglaterra"; a palavra "Londres", ao contrário, satisfaz a exigência de simplicidade. Além de dever ser um signo simples, o nome, para Wittgenstein, deve satisfazer a uma outra exigência, qual seja, a de representar uma coisa simples, que ele chama "objeto". No Tractatus, os objetos são concebidos como absolutamente simples, e não simples apenas em relação com algum sistema de notação. Segundo o filósofo, os objetos formam a substância do mundo, e por isso mesmo não podem ser compostos; a substância é o que subsiste independentemente do que ocorre; o fixo, o subsistente e o objeto são um só, enquanto a configuração constitui o mutável o instável.

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  • 17:47 - 15.08.2008 Filosofia Clássica >> A Metafísica de Platão

    Introdução

    Platão escreve o livro O Sofista em sua chamada fase madura, e procura com esse texto reelaborar sua Teoria das Formas (Teoria das Idéias) resolvendo uma aparente aporia dada pela rigidez que ele assume a noção de Ser de Parmênides em suas obras precedentes. Desde a obra Protágoras, passando por Teeteto e encerrando em O Sofista, Platão critica sua própria teoria e discute a possibilidade das Formas se misturarem, serem capazes de uma participação recíproca, onde outrora, sob influência de Parmênides, concebia cada Forma um Ser e uma unidade.

    Além desse aspecto, Platão discute a definição do Sofista (personagem contemporâneo a Sócrates e controverso) e por fim, a possibilidade de um discurso falso, naquilo que ele concebe a linguagem como tradutora da verdade.
     
    Ao impetrar uma crítica à estrutura parmenediana do Ser em seu livro, Platão consegue argumentar a possibilidade do não-Ser no devir, rejeitando a idéia paradoxal que um discurso, como possuidor de Ser, contivesse a Verdade de forma necessária. Ele mostra que mesmo havendo um discurso, ele pode ser falso, não deixando de fazer parte do Ser, já que a idéia por traz dele o dava legitimidade, mesmo sendo a da falsidade. Com isso ele reformula uma parte de suas próprias concepções em livros anteriores quando se encontrava mais próximo, conceitualmente, da visão de Parmênides.

    Usa como pano de fundo um diálogo onde se discute as características de um Sofista, evocando a imitação da realidade através de um discurso que visa apenas impressionar através da disputa e uso da erística, com o objetivo de convencer jovens a pagar por ensinamentos da arte retórica do convencimento. Platão defende a tese que a Filosofia é a busca da Verdade, do conhecimento (epistéme), que reside no Mundo das Idéias e que o Mundo das Aparências, que imita a realidade, se constitui no mundo das opiniões (doxas), terreno do qual os Sofistas disputam como mercadores de ciência a atenção e favores financeiros numa sociedade que se rendeu ao direito da maioria decidir o destino da polis.

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  • 18:50 - 17.01.2008 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    "Sou um amante fanático da liberdade, considerando-a como o único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens; não esta liberdade formal, outorgada e regulamentada pelo Estado, mentira eterna que, em realidade, representa apenas o privilégio de alguns, apoiada na escravidão de todos; (...) só aceito uma única liberdade que possa ser realmente digna deste nome, a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as potencialidades materiais, intelectuais e morais que se encontrem em estado latente em cada um (...)." (Mikhail Bakunin, anarquista russo)

    Mikhail Bakunin, pensador e ativista do século XIX tinha uma mente voraz. Pregava a dissolução de todo e qualquer poder regulamentador que viesse a tolher a liberdade do indivíduo, impedindo que seus potenciais e atributos ainda latentes viessem a florescer. De certa forma tinha lá sua parcela de razão. Mas ao adotar o radicalismo ao repelir toda e qualquer forma de regulamentação, incorre no erro da ortodoxia extremada ao não verificar que existe a possibilidade da existência do poder regulamentador que viesse justamente a garantir a liberdade e o florescer dos potenciais latentes no homem.

    Deste modo, seu pensamento se equivoca e recai numa confiança exacerbada na figura do homem, ao crer que todos os indivíduos alheios ao poder regulamentador irão caminhar de forma reta de modo a não gerar a degeneração do próximo e da coletividade pelo egoísmo e outras paixões menores. Incorre no mesmo erro que critica em uma famosa citação sua de crítica ao Marxismo, onde esse diz que quando os operários "tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo".

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  • 04:15 - 22.12.2007 Escolas Filosóficas >> Ceticismo

    Por Anny Kátia da Silva Pinto
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    Resumo

    Este trabalho tem como intenção expor a noção de epokhé no ceticismo pirrônico; como os céticos alcançam a tranqüilidade da alma (ataraxia) mediante seu uso; qual a sua origem e quais as mudanças sofridas por esta noção até chegar à definição usada pelos céticos: “O ceticismo pirrônico”. Desta forma, investigamos, neste trabalho, a possível coerência ou incoerência da noção de epokhé (suspensão do juízo) frente às outras caracterizações atribuídas ao movimento cético.


    A noção de epokhé e central para a compreensão, do ceticismo pirrônico[1], como os céticos alcançam a tranqüilidade da alma (ataraxia) mediante seu uso. Investigaremos aqui, qual a sua origem e quais as mudanças sofridas por esta noção até chegar à definição usada por eles. O ceticismo[2] pirrônico[3] (pirróneios) também foi caracterizado como aporético (aporetiké); investigativo (zetetiké); e também como suspensivo (ephektiké). Porém, é a noção de suspensão do juízo (epokhé) que é mais usada tecnicamente e de modo fundamental no ceticismo. Segundo Sexto Empírico:

    "A orientação cética recebe o nome de Zetetiké (investigadora) devido a sua atividade de investigação e observação, ephektiké (suspensiva) pela disposição de ânimo que se produz no cético depois da investigação, aporética pelo seu hábito de duvidar e investigar tudo, ou como dizem alguns, por sua indecisão a respeito do assentimento ou da negação..." (SEXTO EMPÍRICO, I, 1-3).

    Levando o cético pirrônico a suspender o juízo (epokhé) diante da impossibilidade da escolha sobre argumentos equivalentes acerca de qualquer questão, “... e pirrônicas porque nos parece que Pirro se entregou ao ceticismo de forma mais consciente e mais manifesta que os outros que o precederam”.(SEXTO EMPIRICO, I, 1- 4.).

    A noção de epokhé não é criação do ceticismo pirrônico, pois recorrendo a história da filosofia constatamos que tal noção já era usada pelos estóicos. E para evitar confusão entre ambas filosofias e entender o objeto de discussão, há a necessidade de explicar como os estóicos contribuíram para a fundamentação do ceticismo mediante a noção de epokhé. Isto fica evidente em algumas passagens do primeiro livro das Hipotiposes pirrônicos de Sexto Empírico.

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  • 18:58 - 05.12.2007 Proto Filosofia >> Religiões do Mundo

    Budism

    O Budismo originou-se nos fins do Período Bramânico na Índia, que se estendeu aproximadamente entre os séculos IX e III antes de Cristo. Tal período pode ser subdividido entre um período bramânico ortodoxo (período de predominação dos Bramanas), um período bramânico desviante (do qual originaram-se as Upanisadas) e período das heterodoxias. Este último dá lugar à origem do jainismo e do budismo. De uma maneira geral, o budismo prega um caminho de libertação e salvação mais individualizado.

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  • 03:39 - 22.01.2008 Temas Filosóficos >> Epistemologia

    (Do Livro: fundamentos da Filosofia, Gilberto Cotrim, Editora Saraiva, 2001, pág. 253-255)

    Não é só em relação á possibilidade de verdade das teorias científicas que a filosofia da ciência deve se debruçar. Outras questões ainda surgem no mundo contemporâneo em relação à ciência. Elas dizem respeito ao sentido, ao valor e aos limites éticos do conhecimento científico....

    Nos filósofos da Escola de Frankfurt essa crítica foi formulada, pelo menos por Adorno e Horkheimer, juntamente com a crítica da própria razão contemporânea, dominadora e manipuladora, uma razão instrumental.

    A partir dos ideais iluministas, essa razão apresentava-se como libertadora, mas passou a servir à dominação e destruição da natureza. Em um texto de autoria de Horkheimer e Adorno, A dialética do esclarecimento, de 1947, os dois fazem dura crítica o Iluminismo, que estimulou o desenvolvimento dessa razão controladora e instrumental que predomina na sociedade contemporânea. Denunciam também o desencantamento do mundo, a deturpação das consciências individuais, a assimilação dos indivíduos ao sistema social dominante. Em resumo, Horkheimer e Adorno denunciam a morte da razão critica, asfixiada pelas relações de produção capitalista.

    A vida dos indivíduos também foi submetida a mecanismo de racionalização, como a especialização do trabalho nas indústrias, que se apresentou como científica, quer dizer, neutra, desinteressada. Por trás dessa aparente neutralidade e imparcialidade, esse cientificismo escondia interesses bastante concretos.

    Outro filósofo que denunciou os mecanismo de controle social através da indução racional e científica dos comportamento foi Foucault. Ele mostrou que o saber especializado é usado como forma de convencimento racional das pessoas em geral, exercendo poder sobre elas.

    Essa utilização do discurso científico só é possível a partir do mito do cientificismo, ou seja, a crença no poder da ciência de tudo explicar e, sobretudo, a crença na neutralidade da ciência, a idéia de que o conhecimento científico é desinteressado e imparcial.

    Tomemos apenas um exemplo que, por suas dimensões e características nos dá uma idéia precisa do que pode ser o uso "interessado" da tecnologia.

    A filósofa e socióloga de origem alemã naturalizada norte-americana Hannah Arendt (1906-1975), em seu livro Eichmann em Jerusalém, investigou a brutalidade do regime nazista, apontando como uma das sua principais características a forma racionalizada com que foi feito o extermínio de seis milhões de judeus nos campos de concentração. O emprego da tecnologia, ou seja, das câmaras de gás e dos fornos crematórios, era um procedimento frio, burocratizado, uma operação feita por funcionários públicos.

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  • 12:10 - 16.12.2007 Temas Filosóficos >> Ontologia e Cosmologia

    Na Metafísica, IV, 1, Aristóteles empregava estas palavras: "Há uma ciência que estuda o Ser enquanto ser, e seus atributos essenciais, Ela não se confunde com nenhuma das outras ciências chamadas particulares, pois nenhuma delas considera o Ser em geral, enquanto ser, mas, recortando uma certa parte do ser, somente desta parte estudam o atributo essencial; como, por exemplo, procedem as ciências matemáticas".

    Mas já que procuramos os primeiros princípios e as causas mais elevadas, é evidente que existe necessariamente alguma realidade à qual tais princípios e causas pertencem, em virtude de sua própria natureza. Se, pois. os filósofos, que buscavam os seres, procurassem esses mesmos princípios, resultaria daí necessariamente que os elementos do Ser são elementos deste, não; enquanto acidente, mas enquanto ser. Eis por que devemos estudar as causas primeiras do "Ser enquanto ser."

    Estas palavras de Aristóteles sobre a filosofia primeira (proto philosophia a philosophia prima dos escolásticos) são ainda o melhor e mais claro enunciado sobre a ciência em que ora penetramos, a Ontologia ou Metafísica Geral. Assim também é chamada, porque estuda o ser enquanto ser, isto é, tomando-o na sua maior universalidade.

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  • 19:01 - 05.12.2007 Escolas Filosóficas >> Ceticismo

    de Jean-Paul Dumont

    (Scepticism: Artigo da Encyclopædia Universalis, Paris, s.d.,vol:14, pp. 719-723. Tradução: Jaimir Conte)

    1.SIGNIFICADO DO CETICISMO ANTIGO
    *Dados históricos
    *Divergências das tradições
    *O fenomenismo grego
    *Evolução do relativismo
    *Os novos céticos

    2. AS TRANSFORMAÇÕES DO CETICISMO
    *História da história do ceticismo
    *Cristianismo e ceticismo
    *Racionalismo e ceticismo

    ceticismoO termo ceticismo terminou por designar atualmente, na linguagem comum, uma atitude negativa do pensamento. O cético é visto, freqüentemente, não somente como um espírito hesitante ou tímido, que não se pronuncia sobre nada, mas como aquele que, sobre qualquer coisa que é avançada, ou sobre qualquer coisa que possa dizer, se refugia na crítica. Da mesma forma, acredita-se ainda que o ceticismo é a escola da recusa e da negação categórica. Na realidade, e por sua própria etimologia (skepsis em grego significando “exame”), o ceticismo vetaria qualquer posição decidida, a começar até pela que consistiria em afirmar, muito antes de Pirro e como Metrodoro de Abdera, que somente sabemos uma coisa: que nada sabemos. Os céticos qualificam a si mesmos de zetéticos, isto é, de pesquisadores; de eféticos, que praticam a suspensão do juízo; de aporéticos, filósofos do obstáculo, da perplexidade e dos resultados não encontrados. Além disso, os historiadores latinos e gregos da filosofia cética, como Aulo-Gélio, Sexto Empírico e Diógenes Laércio, mantém uma distinção muito rigorosa entre os acadêmicos, que sustentam a impossibilidade de conhecer, e os céticos, que tomam a vida e a experiência por critérios de suas condutas. Para compreender o ceticismo, é preciso, pois, responder sucessivamente a estas duas questões: em que consistia o ceticismo antigo? Por que o ceticismo foi, na história da filosofia, ignorado e traído em sua intenção e valor?

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  • 17:51 - 10.12.2007 Biografias >> São Tomás de Aquino

    Aquino

    Tomás de AQUINO 1225-1274

    Texto retirado de : Collinson, Diané – 50 Grandes Filósofos / Diané Collinson : tradução Maurício Waldman e Bia Costa. 3 ed. – São Paulo : Contexto, 2006.

    A filosofia de Tomás de Aquino, cognominado "Doutor Angélico" pelo Papa Pio v, é intimamente entrelaçada com sua teologia. Aquino procurou estabelecer uma coexistência harmoniosa entre fé e razão, demonstrando, em primeiro lugar, que os princípios da fé não contradizem as conclusões da filo­sofia, e segundo, que eles não se afastam dela e formam a base dos argumentos filosóficos. Aquino foi enormemente responsável pela incorporação da filoso­fia de Aristóteles na doutrina cristã e na cultura ocidental. O filósofo escreveu intensamente, e dois de seus mais conhecidos trabalhos, a Suma Contra os Gentios e a Suma Teológica, são de proporções enciclopédicas. Como o próprio título sugere, a Suma Contra os Gentios voltava-se para os não-cristãos. Esta obra discute a respeito da natureza e dos trabalhos de Deus, sabedoria humana e felicidade, e ainda sobre a compatibilidade da fé com a razão. Por sua vez, a Suma Teológica consiste inteiramente de perguntas e respostas apresentadas na forma de extensos artigos . Essa Suma lida com a questão da razão e da revelação vistos como caminhos para o conhecimento de Deus, oferecendo cinco provas da existência d'Ele, analisando Sua natureza e propriedades e discutindo a graça pela qual o intelecto humano pode apreender a deidade. Três anos após sua morte, a despeito de algumas controvérsias improdutivas da parte das autoridades eclesiásticas no referente à sua perspectiva teológica, Tomás de Aquino foi canonizado pelo Papa João XII.

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  • 10:18 - 15.12.2007 Temas Filosóficos >> Retórica e Oratória

    RETÓRICA E NOVA RETÓRICA: A TRADIÇÃO GREGA E A TEORIA DA ARGUMENTAÇÃO DE CHAIM PERELMAN

    Gustavo de Britto Freire Pacheco

    1. Introdução

    1.1. Conceito

    A palavra Retórica (originária do grego rhetoriké, "arte da retórica", subentendendo-se o substantivo téchne) tem sido entendida historicamente em acepções muito diversas. Em sentido lato, a retórica se mistura com a poética, consistindo na arte da eloqüência em qualquer tipo de discurso. Não é esse, no entanto, o sentido que nos interessa no estudo que procederemos a seguir, mas a concepção mais restrita que identifica a retórica como "a faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, pode ser capaz de gerar a persuasão"1, segundo a definição aristotélica. Nesse sentido, a retórica é uma modalidade discursiva geral, aplicável às mais variadas disciplinas - uma atividade em que predomina a forma, como a gramática e a dialética, e não o conteúdo2.

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  • 19:01 - 05.12.2007 Temas Filosóficos >> Ateismo e Ceticismo

    de Jean-Paul Dumont

    (Scepticism: Artigo da Encyclopædia Universalis, Paris, s.d.,vol:14, pp. 719-723. Tradução: Jaimir Conte)

    1.SIGNIFICADO DO CETICISMO ANTIGO
    *Dados históricos
    *Divergências das tradições
    *O fenomenismo grego
    *Evolução do relativismo
    *Os novos céticos

    2. AS TRANSFORMAÇÕES DO CETICISMO
    *História da história do ceticismo
    *Cristianismo e ceticismo
    *Racionalismo e ceticismo

    ceticismoO termo ceticismo terminou por designar atualmente, na linguagem comum, uma atitude negativa do pensamento. O cético é visto, freqüentemente, não somente como um espírito hesitante ou tímido, que não se pronuncia sobre nada, mas como aquele que, sobre qualquer coisa que é avançada, ou sobre qualquer coisa que possa dizer, se refugia na crítica. Da mesma forma, acredita-se ainda que o ceticismo é a escola da recusa e da negação categórica. Na realidade, e por sua própria etimologia (skepsis em grego significando “exame”), o ceticismo vetaria qualquer posição decidida, a começar até pela que consistiria em afirmar, muito antes de Pirro e como Metrodoro de Abdera, que somente sabemos uma coisa: que nada sabemos. Os céticos qualificam a si mesmos de zetéticos, isto é, de pesquisadores; de eféticos, que praticam a suspensão do juízo; de aporéticos, filósofos do obstáculo, da perplexidade e dos resultados não encontrados. Além disso, os historiadores latinos e gregos da filosofia cética, como Aulo-Gélio, Sexto Empírico e Diógenes Laércio, mantém uma distinção muito rigorosa entre os acadêmicos, que sustentam a impossibilidade de conhecer, e os céticos, que tomam a vida e a experiência por critérios de suas condutas. Para compreender o ceticismo, é preciso, pois, responder sucessivamente a estas duas questões: em que consistia o ceticismo antigo? Por que o ceticismo foi, na história da filosofia, ignorado e traído em sua intenção e valor?

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  • 00:09 - 18.12.2007 Temas Filosóficos >> Filosofia da Educação

    por WALTER OMAR KOHAN

    RESUMO: O presente trabalho busca pensar o valor de O mestre ignorante como exercício de filosofia da educação, em particular contrapondo-o a um modo, dominante, de exercer esse saber no seio de nossas instituições. Trata-se de uma história singular, pela qual todo mestre pode se perguntar por que e para que ensina; e, o que é ainda mais importante, pela qual pode questionar-se que diabos está fazendo consigo mesmo e com os outros, a cada vez que se veste de mestre em uma sala de aula. Depreendemos, desse exercício, três lições:

    a) o mais natural, evidente e aceito socialmente acaba sendo, filosoficamente, o mais problemático;
    b) somente pelo paradoxo, entranhados no lodo paradoxal, podemos encontrar algum sentido na educação;
    c) só há uma educação que vale a pena: a que emancipa (sem emancipar). Quem não deixa que os(as) outros(as) se emancipem embrutece.

    A filosofia da educação ocupa um lugar pouco interessante no universo acadêmico, ao menos em nossos países hispano- americanos. Depreciada na imensa maioria dos departamentos
    de filosofia das instituições de formação superior, acolhida nos de educação, costuma ser matéria obrigatória nos cursos de formação de mestres. Tornada, assim, muitas vezes, o único espaço de contato com a filosofia durante todo o processo de formação, seus docentes, programas e bibliografia costumam manter, no melhor dos casos, um caráter enciclopédico, totalizador e fundacionista. Em todo o caso, o repertório não parece muito variado: aqui, a história das idéias filosóficas sobre a educação; lá, correntes do pensamento filosófico sobre a educação; ou, então, o estudo das divisões mais ou menos claras do saber pedagógico, segundo orientações bastante clássicas do conhecimento filosófico: um pouco de epistemologia, outro tanto de axiologia e de ontologia, usadas para explicar o fenômeno educativo. Dessa forma, o aluno mais afortunado poderá compreender, com a ajuda de um mestre explicador, um saber filosófico, histórico ou sistemático, sobre a educação. Aprenderá a distinguir, com as explicações que recebeu, escolas e orientações pedagógicas, períodos, conceitos e categorias, que habilmente relacionará às correntes de pensamento já instituídas. Para os menos afortunados, essas mesmas explicações funcionarão, muito mais simplesmente, como uma espécie de doutrinação educativa, que os infundirá, brutal ou delicadamente, da firme crença nos fins, nos valores e nos ideais que deverão passar a perseguir.

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  • 15:56 - 16.12.2007 Temas Filosóficos >> Ontologia e Cosmologia

    É do objeto da Metafísica, como já tivemos oportunidade de expor, examinar e discutir a existência ou não de diversos tipos de realidade.

    Se um cosmos (de Cosmos, em grego, universo organizado em oposição a Caos) tem realmente uma ordem, se é um e único, se há vários, se entre eles há pontos de contato ou não, se forma uma unidade ou uma pluralidade, se essa unidade é homogênea ou o produto de uma pluralidade, heterogênea portanto, que se unifica, etc, tais perguntas cabem à Metafísica responder.

    Desde logo se vê que, para enfrentar tais temas, em suas raízes, fundadas em muitas disciplinas científicas, não podemos prescindir dos estudos que a ciência oferece. E esta é a razão porque as posições bárbaras de divórcio da filosofia e da ciência não se sustentam mais, senão para os que fazem literatura da filosofia, que, por deficiência de um método capaz de unir as elevadas intenções de uma e de outra, não compreendem a cooperação que deve haver e há em todo saber epistêmico em benefício do próprio homem.

    Não se alegue, porém, com o total desinteresse como carac-terística da filosofia, que estaria bem, até certo ponto, numa classe de ociosos, que tinha escravos para cuidar da satisfação de suas necessidades. Nossa época é uma época de reintegração do homem no cosmos, e este luta pela sua potencialização e, para tanto, não pode prescindir da ciência, que por deixar de ser excludente em seus métodos, tornou-se ascendente e benéfica, apesar, algumas vezes, do mau destino que se tenha dado às suas construções.

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  • 23:45 - 17.12.2007 Temas Filosóficos >> Filosofia Política

    A. O princípio de hereditariedade

    Em 1689 e 1690, logo após a revolução de 1688, escreveu Locke os dois Tratados do Governo, dos quais o segundo tem especial importância na história das ideias políticas.

    O primeiro critica a doutrina do poder hereditário. É uma resposta ao Patriarca ou o Poder Natural dos Reis, de Sir Robert Filmer, publicado em 1680 mas escrito no tempo de Carlos I. Sir Robert Filmer, defensor do direito divino dos reis, teve a infelicidade de viver até 1653 e deve ter sofrido muito com a execução de Carlos I e a vitória de Cromwell. Mas Patriarca foi escrito antes de esses factos mas não antes da guerra civil, e por isso mostra conhecimento da existência de doutrinas subversivas, que reconhece não serem novas em 1640. De facto, teólogos protestantes e católicos, em discussão com os respectivos monarcas, tinham afirmado vigorosamente o direito de os súbditos resistirem a príncipes tiranos, e esses escritos deram a Sir Robert abundante material de controvérsia. Sir Robert Filmer fora armado cavaleiro por Carlos I e diz-se que os parlamentaristas lhe saquearam dez vezes a casa. Não julga improvável que Noé tivesse percorrido o Mediterrâneo e dividido a Ásia, África e a Europa por Ham, Sem, e Japheth, respectivamente. Pensava que segundo a Constituição inglesa, os Lords apenas podiam aconselhar o rei; e os Comuns tinham ainda menos poder; diz que só o rei faz as leis, expressão da sua vontade e que é perfeitamente livre de controle humano, não pode estar ligado a actos dos seus predecessores, nem mesmo aos seus, por "ser naturalmente impossível um homem dar lei a si próprio".

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  • 16:53 - 29.12.2007 Temas Filosóficos >> Filosofia da Religião

    O intuito desse tópico, não é falar de "espíritos", "provas da existência da vida após a morte", "religião" ou outros assuntos correlatos. O intuito único desse, é trazer à tona a Filosofia Espírita, enquanto sistema Filosófico formal.

    Para aqueles que buscam outros assuntos relacionados ao Espiritismo que não o proposto acima, sugerimos se dirigir ao tópico abaixo, onde há evidências indexadas sobre a vida após a morte e outras que podem ser encontradas, mantendo este em seu rumo:

    http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=12147936&tid=2535061928436240479

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  • 04:13 - 26.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Miranda

    Parece-me que pode virar um costume comentários meus a respeito de artigos de Desidério Murcho e Ludwig Krippahl, e pode mesmo. Os artigos e textos de ambos nos fazem refletir filosoficamente, mesmo que talvez, eles postem em seus Blogs uma receita de café com baunilha. É impossível ficar incólume aos questionamentos que eles lançam: as comichões de escrever considerações a respeito vêm a qualquer postulante a filósofo como eu.

    Coruja - FilosofiaCurioso foi sentir essa comichão e, por coincidência, ter assistido a um vídeo filosófico do Paulo Ghiraldelli1, onde ele afirma, de forma coerente a meu ver, que: “o primeiro procedimento (ao estudar filosofia) é nunca ler um texto de filosofia para se tirar a idéia principal”. Achei, por demais, interessante essa afirmação. Seus argumentos, nesse procedimento, centram-se na postura do filósofo que, ao ler outro, enriquece e amplia o texto lido, ao invés de tentar resumi-lo. Um filósofo, segundo Ghiraldelli, tem, em sua argumentação, uma dimensão maior do que o ponto principal abordado em suas incursões sobre um tema, e que, ao comentá-lo, devemos nos dedicar a percorrer os argumentos todos e fazer o texto ficar maior do que ele é. Claro que aqui, ele não se refere necessariamente ao tamanho do texto, mas sim à sua profundidade e alcance epistemológico.

    Os textos de Murcho e Krippahl nos convidam a isso. E é nessa postura que pretendo considerá-los em meus comentários, correndo o risco de levar a cabo a recomendação de Ghiraldelli no que concerne ao tamanho também. Risco tomado; vamos às considerações.

    Ciência e Verdade

    Em sua réplica2 ao comentário sobre seu artigo feito pelo Ludwig, Desidério coloca como causa a questão da ciência esgotando a racionalidade. Parece-me também que a discussão centrou-se nesse ponto, do qual inicio a partir das considerações de ambos. (vale lembrar a necessária leitura de todo o contexto, como avisado no meu artigo anterior3).

    Desidério elege como mote, pedra de torque ou cerne de toda discussão a que nos dedicamos nesses artigos, a afirmação cientificista de que “nenhuma verdade escapa aos métodos científicos de descoberta da verdade”. Penso ter falado algo sobre isso em meu artigo anterior comentando sobre essa discussão. Na ocasião, pincelei algumas considerações as quais me aprofundo com alguns detalhes importantes:

    A questão de quem profere que existe Deus ou não, com a mesma ênfase proselitista (mesmo que cercado de argumentos plausíveis) está justamente na pretensão soberba de deter uma verdade escorregadia e movediça que, embora apodítica em nossa subjetividade, careça de objetivismo estrito, mesmo na inferência de que ela esteja completa quando encerrada em ambiente controlado num laboratório, ou mesmo que jamais seja possível que ela fosse explicitada dessa forma.”

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  • 05:24 - 15.12.2007 Temas Filosóficos >> Epistemologia

    por Marcos A da Silvieira - PUC-Rio

    "Quem perseverar na sua pesquisa é levado, mais cedo ou mais tarde, a mudar de método"
    (Goethe).

    O Dicionário Houaiss apresenta o seguinte verbete:

    epistemologia - s.f. (1942 cf. PD3) FIL 1 reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, esp. nas relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e o objeto inerte, as duas polaridades tradicionais do processo cognitivo; teoria do conhecimento  cf. gnosiologea 2 freq. estudo dos postulados, conclusões e métodos dos diferentes ramos do saber científico, ou das teorias e práticas em geral, avaliadas em sua validade cognitiva, ou descritas em suas trajetórias evolutivas, seus paradigmas estruturais ou suas relações com a sociedade e a história; teoria da ciência  ETIM epistem- + -o- + -logia.

    O primeiro sentido é o de uma teoria do conhecimento, onde buscamos a natureza, as etapas e os limites do conhecimento humano, o que leva a estudar, inclusive, os processos cognitivos individuais (psicologia cognitiva) e sociais (a formação e a validade das ciências). Procura responder as perguntas: O que é conhecer?, O que podemos conhecer?, Como podemos conhecer?, O que nos motiva a conhecer?

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  • 00:00 - 29.03.2009 Temas Filosóficos >> Ética e Moral

    RESUMO

    Este texto oferece uma resposta à duas das principais acusações ao utilitarismo, uma das doutrinas éticas mais discutidas na filosofia contemporânea. O principio utilitarista pode ser resumido de uma maneira bem simples, ele afirma que a ação correta é aquela que promove o maior grau de felicidade para o maior número de pessoas. A primeira crítica trabalhada por mim neste artigo é conhecida como “argumento da impessoalidade”. Segundo os defensores desse argumento o utilitarismo torna o homem a tal ponto impessoal que não seria mais capaz de levar em conta os valores individuais de cada pessoa. Tudo seria permitido (tortura de prisioneiros, assassinato, etc.), desde que promovesse a maior felicidade geral, e assim acabaríamos numa ditadura da maioria. A outra objeção ao utilitarismo afirma que há circunstâncias onde não temos tempo para calcular se a conseqüência de nossa ação será a maior felicidade geral. Neste contexto, para aplicar corretamente o seu princípio deveríamos ser verdadeiras máquinas de calcular.

    Argumentarei que nenhuma dessas críticas é de fato decisiva contra o utilitarismo. Tentarei mostrar que essa teoria ética continua sendo uma boa alternativa. Minha argumentação será baseada principalmente em dois autores, quais sejam, John Stuart Mill (um dos defensores mais proeminentes dessa doutrina) e Philip Pettit. Concluirei que, embora a primeira acusação seja realmente um problema para o utilitarista, é também um problema para qualquer teoria ética. Quanto a segunda objeção, concluirei que o utilitarista não precisa aceita-la.

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  • 16:33 - 29.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    Um holograma é uma fotografia tridimensional feita com a ajuda de um laser.

    Para fazer um holograma, o objeto a ser fotografado é primeiro banhado com a luz de um raio laser. Então um segundo raio laser é colocado fora da luz refletida do primeiro e o padrão resultante de interferência (a área aonde se combinam estes dois raios laser) é capturada no filme. Quando o filme é revelado, parece um rodamoinho de luzes e linhas escuras. Mas logo que este filme é iluminado por um terceiro raio laser, aparece a imagem tridimensional do objeto original.

    A tridimensionalidade destas imagens não é a única característica importante dos hologramas. Se o holograma de uma rosa é cortado na metade e então iluminado por um laser, em cada metade ainda será encontrada uma imagem da rosa inteira. E mesmo que seja novamente dividida cada parte do filme sempre apresentará uma menor, mas ainda intacta versão da imagem original. Diferente das fotografias normais, cada parte de um holograma contém toda a informação possuída pelo todo.

    A natureza de "todo em cada parte " de um holograma nos proporciona uma maneira inteiramente nova de entender organização e ordem.

     

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  • 20:50 - 11.03.2008 Nascimento da Filosofia >> Pré-Socráticos (sec VII a V a.C.)

    Texto extraído de:

    REALE, Giovanni, ANTISERI, Dario. História da Filosofia. Volume I – Antiguidade e Idade Média. São Paulo. Editora Paullus, 1990 – Coleção Filosofia. p.38 – 47.

    Os pitagóricos e o número como princípio

    Pitágoras e os chamados "pitagóricos"

    PitagorasPitágoras nasceu em Samos, vivendo o apogeu de sua vida em torno de 530 a.C. e morrendo no início do século V a.C. O mais conhecido dos antigos biógrafos dos filósofos, Diógenes Laércio, assim resume as etapas de sua vida: "Jovem e ávido de ciência, abandonou sua pátria e foi iniciado em todos os ritos mistéricos, tanto gregos como bárbaros. Depois, foi para o Egito (...); depois, esteve entre os caldeus e os magos. Posteriormente, em Creta, com Epimênides, entrou no antro de Ida, mas também no Egito entrou nos santuários e aprendeu os arcanos da teologia egípcia. Então, retornou a Samos e, encontrando sua pátria sob a tirania de Polícrates, levantou velas para Crotona, na Itália. Ali, elaborou leis para os italiotas e conseguiu grande fama, juntamente com seus seguidores, que em número de cerca de trezentos, administravam tão bem a coisa pública que seu governo foi quase uma aristocracia." Talvez as viagens ao Oriente tenham sido uma invenção posterior. Mas é certo que Crotona foi a cidade em que Pitágoras operou principalmente. Mas as doutrinas pitagóricas também tiveram muita difusão em inúmeras outras cidades da Itália meridional e da Sicília: de Síbari a Régio, de Locri a Meta ponto, de Agrigento a Catânia. Além de filosófica e religiosa, como vimos, a influência dos pitagóricos também foi notável no campo político. O ideal político pitagórico era uma forma de aristocracia baseada nas novas camadas dedicadas especialmente ao comércio, que, como já dissemos, ha­viam alcançado um elevado nível nas colônias, antes ainda do que na mãe-pátria. Conta-se que os crotonienses, temendo que Pitágoras quisesse tornar-se tirano da cidade, incendiaram o prédio em que ele se havia reunido com seus discípulos. Segundo algumas fontes, Pitágoras teria morrido nessas circunstâncias; segundo outros, porém, teria conseguido fugir, vindo a morrer em Metaponto. Mui­tos escritos são atribuídos a Pitágoras, mas os que chegaram até nós sob o seu nome são falsificações de épocas posteriores. É possível que o seu ensinamento tenha sido somente (ou predominantemen­te) oral.

    Podemos dizer muito pouco, senão pouquíssimo, sobre o pensamento original desse pensador, bem como acerca dos dados reais de sua vida. As numerosas Vidas de Pitágoras posteriores não têm credibilidade histórica, porque logo depois de sua morte (e talvez já nos últimos anos de sua vida) o nosso filósofo já havia perdido os traços humanos aos olhos de seus seguidores: ele era venerado quase como nume e sua palavra tinha quase o valor de oráculo. A expressão com que se referiam à sua doutrina tornou-se muito famosa: "ele o disse" (autos épha; ipse dixit). Aristóteles não tinha mais à disposição elementos que lhe permitissem distinguir Pitágoras dos seus discípulos. Assim, falava dos "chamados pi­tagóricos", ou seja, os filósofos "que eram chamados" ou "que se chamavam" pitagóricos, filósofos que procuravam juntos a verdade e que, portanto, não se diferenciavam singularmente.

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  • 19:13 - 12.03.2008 Nascimento da Filosofia >> Pré-Socráticos (sec VII a V a.C.)

    Texto extraído de:

    NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia, das Origens à idade Moderna. São Paulo, Globo, 2005. Tradução Maria Margherita de Luca. p. 13 - 16


    Os Milésios: Tales, Anaximandro, Anaxímenes

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    A Energia do Universo (Rajasthan. século XVII)
    Nas primeiras paginas de Metafísica, resumindo as doutrinas dos pensado­res gregos que o precederam, Aristóteles afirma que Tales e os seus dis­cípulos de Mileto. Anaximandro e Anaxímenes, foram os primeiros filóso­fos, porque enfrentaram racionalmente - e, portanto, sem recorrer a uma ex­plicação mítica - o problema do princípio primordial (arché, em grego), do qual tudo deriva. É evidente que tal progresso da espiritualidade humana não pode ter ocorrido de uma única vez. Por isso, a afirmativa de Aristóteles deve ser entendida como uma precisa definição da filosofia, porque localiza a es­sência do novo estilo de pensamento não na originalidade dos problemas, mas nos processos utilizados para chegar a uma resposta. A filosofia, em resumo, tem início quando o pensamento se torna racional, seja no sentido de procu­rar acompanhar processos lógicos, seja no sentido de encontrar na realidade provas que sustentem as afirmações produzidas. E por mais que hoje nos pa­reçam pobres, as respostas de Tales e dos Milésios, pela sistemática recusa ao provável e ao fantástico, já são totalmente racionais.

    A historia da escola filosófica de Mileto, hoje uma cidade da Turquia, esta li­gada aos acontecimentos políticos na Ásia Menor entre os séculos VI e IV a.C. Depois de beneficiar-se de sua localização, favorável ao comércio, e de expe­rimentar um grande desenvolvimento socioeconômico e tecnológico, Mileto foi ocupada pelos persas e várias vezes destruída, o que determinou o fim da sua escola filosófica.
     
    Apesar do grande volume de relatos, não sabemos muita coisa a respeito de Tales (cerca de 624-545 a.C). A sua figura, efetivamente, está condicionada ao fato de ele ser o primeiro de uma série de filósofos e de sua imagem correspon­der ao estereotipo que se faz desse tipo de pensador: Tales é o observador da na­tureza, o inventor genial, o político empenhado na luta contra os persas, além de geômetra, astrônomo e um observador do céu tão atento a ponto de distrair-se e cair num buraco de rua. Dessa forma, é fixada a imagem do filósofo que, de tão absorto em profundas reflexões, não tem mais condições de enfrentar a vida cotidiana.
    Aparentemente, Tales nada escreveu, mas resta um fragmento dos pensamentos de Ana­ximandro (cerca de 610-547 a.C) e de Anaxí­menes (cerca de 596-525 a.C.) cuja contribui­ção se limita a oferecer uma resposta diferente ao problema apresentado por Tales.

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  • 16:26 - 03.01.2008 Filosofia Clássica >> Os Sofistas

    Texto extraído na íntegra do livro:
    Marcondes, Danilo – Iniciação à História da Filosofia: dos Pré-Socráticos a Wittgenstein – 10ª Edição – Zahar Editores - 2006 - páginas 42, 43 e 44 mais Notas.

    Os sofistas surgem exatamente nesse momento de passagem da tirania e da oligarquia para a democracia. São os mestres de retórica e oratória, muitas vezes mestres itinerantes, que percorrem as cidades-estados fornecendo seus ensinamentos, sua técnica, suas habilidades aos governantes e aos políticos em geral. Embora sem formar uma escola ou grupo homogêneo, o que os caracteriza é muito mais uma prática ou uma atitude comuns do que uma doutrina única. Há portanto uma paideia, um ensinamento, uma formação pela qual os sofistas foram responsáveis, consistindo basicamente numa determinada forma de preparação do cidadão para a participação na vida política. Sua função nesse contexto foi importantíssima e sua influência muito grande, o que se reflete na forte oposição que sofreram por parte de Sócrates, Platão e Aristóteles. Os sofistas foram portanto filósofos e educadores, além de mestres de retórica e de oratória, embora este papel lhes seja negado, p.ex. por Platão. É difícil por isso mesmo termos uma avaliação mais concreta de sua função e mesmo de sua concepção filosófica e pedagógica. Além de termos uma situação semelhante à dos pré-socráticos quanto aos textos dos sofistas, isto é, tudo o que nos resta são frag­mentos, citações, testemunhos, esta dificuldade se agrava pelo fato de que, em grande parte, a maioria destas citações e testemunhos nos chegaram através de seus princi­pais adversários, Platão e Aristóteles, que pintaram um retrato bastante negativo desses pensadores. Os próprios termos "sofista" e "sofisma"3 acabaram por adquirir uma conotação fortemente depreciativa, embora "sofista" inicialmente significasse tão-somente "sábio". Apenas recentemente os intérpretes e historiadores têm procu­rado revalorizar a contribuição dos sofistas, através de uma visão mais isenta e objetiva de suas doutrinas, bem como de seu papel, influência e contribuição à filosofia e aos estudos da linguagem.4

    Os principais e mais conhecidos sofistas foram Protágoras de Abdera (c.490-421 a.C.), Górgias de Leontinos (c.487-380 a.C.), Hípias de Elis, Licofron, Pródicos, que teria sido inclusive mestre de Sócrates5, e Trasímaco, embora tenham existido muitos outros dos quais conhecemos pouco mais do que os nomes.

    Nossa análise irá se concentrar em Protágoras e em Górgias, que foram talvez os mais importantes e influentes sofistas, e dos quais Platão nos legou um retrato bastante elaborado nos diálogos Protágoras e Górgias, respectivamente.

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  • 04:39 - 25.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Miranda

    Gostaria aqui de entrar numa discussão que acabei acompanhando pelos links de Notícias Externas do Portal Philosophia. Essa discussão refere-se a dois Blogs que tenho o maior respeito, mesmo sabendo que nenhum deles tem conhecimento da minha existência ou da existência do próprio Portal. - (Pelo menos por enquanto, pois irei com todo prazer enviar um link nosso a eles e convidá-los para terem uma coluna aqui – se os aprouver).

    Um deles é o Rerum Natura1, cujo filósofo Desidério Murcho2 (o qual acompanho há algum tempo com efusiva admiração) faz parte, além dos biólogos Paulo Gama Mota e Sofia Araújo, do físico Carlos Fiolhais, da pedagoga Helena Damião, do matemático Jorge Buescu e da química Palmira F. Silva (realmente um time de primeira). O outro é o Blog Que Treta3, de Ludwig Krippahl4, bioquímico e professor do Departamento de Informática da Faculdade de Ciências de Tecnologia de Lisboa.

    Sinceramente, eu, postulante a filósofo, nem sei se é pretensão demais querer meter a colher em tão preciosa e elucidativa discussão sobre razão, ciência e fé, entre os dois. No entanto, também como postulante a filósofo, considero-me atrevido o bastante para pretender contribuir para alguns pontos importantes que penso ter sua pertinência. Considero aqui que os leitores tenham lido os referidos artigos5, posto que irei recorrer apenas aos trechos que se fizerem pertinentes para elucidar meu ponto de vista.

    Antes de entrar no mérito sobre o cientismo (cujo termo, confesso, não conhecia, pois utilizo o sinônimo “cientificismo6”), gostaria de focar-me nos argumentos do segundo parágrafo do artigo de Murcho, que me pareceram muito interessantes. Quando ele afirma que só é possível aceitar o argumento da épokhé quanto à existência de Deus passando pelos três passos por ele descritos7, eu concordo por razões estritamente lógicas. No entanto, como ele mesmo afirma, além da racionalidade científica (lógica por excelência), existem outras racionalidades que podem nos dar parâmetros mais que corretos para estabelecerem-se.

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  • 18:02 - 27.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    Foi falado anteriormente em meta-filosofia. No filosofar, sobre o próprio papel da Filosofia, como ramo propedêutico do saber humano.

    Foi falado ainda, que o papel sine quae nom da Filosofia é a busca da aproximação com a realidade através da interpretação. Eis então, a relevância da Filosofia. A sua sustentação-mor frente à necessidade dessa para o homem. Partindo desse ponto - sendo o que segue o intuito do tópico – buscar através dessa relevância um foco à Filosofia que permita o progresso intelectual mais contundente do homem.

    Hic et nunc: o homem. O ser da pre-sença que pode conscientemente influir em si e consequentemente no meio. Esse portanto, é o ponto de partida para nosso intuito. Sem buscar o sentido do ser em seu ponto cardial, é impossível falar em proto-filosofia. É impossível, falar em “práxis filosófica pragmática”, sem conhecer o ser da pre-sença, e consequentemente idealizar a esse um proto-sentido. Um caminho reto para o progresso do ser.

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  • 00:00 - 29.03.2009 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    Ensaio sobre a tolerância

    Existem formas de ser, que não devem se contrapor às nossas formas de ser. Flexibile, a-tensão... observação. E, de algum modo, contemplação. Inseridos nesse espectro de ar leve, nos colocamos alheios ao atrito e à violência que dança naquele espectro de tensões. Não que esse estar alheio seja um dever-ser, irrevogável, o que por si só já tornaria essa a-tensão uma tensão, mas o que se pretende aqui é mostrar uma via possível para olhar as coisas sob novos modos.

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  • 19:22 - 29.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    A amizade de alguém é uma forma mui especial de amar. Pois admirar, compreender, ou nada disso, apenas se afinizar, é reflexo daquilo que buscamos em nós mesmos: Ressonância para nossa alma, espelho para nosso espírito e portanto, parceria para eternidade.

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  • 12:08 - 14.12.2007 Temas Filosóficos >> Metafísica

    por Richard Taylor

    É costume dizer-se que cada um tem sua Filosofia e até que todos os homens têm opiniões metafísicas. Nada poderia ser mais tolo. É verdade que todos os homens têm opiniões, e que algumas delas - tais como as opiniões sobre religião, moral e o significado da vida - confinam com a Filosofia e a Metafísica, mas raros são os homens que possuem qualquer concepção de Filosofia e ainda menos os que têm qualquer noção de Metafísica.

    William James definiu algures a Metafísica como "apenas um esforço extraordinariamente obstinado para pensar com clareza". Não são muitas as pessoas que assim pensam, exceto quando seus interesses práticos estão envolvidos. Não têm necessidade de assim pensar e, daí, não sentem qualquer propensão para o fazer. Excetuando algumas raras almas meditativas, os homens percorrem a vida aceitando como axiomas, simplesmente, aquelas questões da existência, propósito e significado que aos metafísicos parecem sumamente intrigantes. O que sobretudo exige a atenção de todas as criaturas, e de todos os homens, é a necessidade de sobreviver e, uma vez que isso fique razoavelmente assegurado, a necessidade de existir com toda a segurança possível. Todo pensamento começa aí, e a sua maior parte cessa aí. Sentimo-nos mais à vontade para pensar como fazer isto ou aquilo. Por isso a engenharia, a política e a indústria são muito naturais aos homens. Mas a Metafísica não se interessa, de modo algum, pelos "comos" da vida e sim apenas pelos "porquês", pelas questões que é perfeitamente fácil jamais formular durante uma vida inteira.

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  • 17:01 - 06.12.2007 Biografias >> Wittgenstein

    1889 — A 26 de abril, em Viena, nasce Ludwig Josef Johann Wittgenstein
    1904 — Nasce John Arthur Terence Dibben Wisdom, em Londres.
    1912 — Wittgenstein ingressa no Trinity College.
    1913 — Submete-se à hipnose, visando esclarecer intrincadas questões lógicas.
    1914 — Inicia-se a Primeira Guerra Mundial. Wittgenstetn alista-se, voluntariamente, no exército austríaco.
    1918 — Com o colapso do Império Austro-Húngaro. é aprisionado pelos italianos.
    1921 — A revista de Wilhelm Ostwald, Annalender Naturphilosophie, publica o Tractatus Lógico-Philosophicus, de Wittgenstein.
    1926 — Wittgenstein trabalha como ajudante de jardineiro do mosteiro de Hüt-teldorf.
    1929 — Wittgenstein retorna a Cambrídge, onde, em junho, doutora-se com o Tractatus.
    1930 — Redige as Observações Filosóficas.
    1931 — Wisdom publica Interpretação e Análise.
    1933-1935 — Wittgenstein escreve os Cadernos Azul e Marrom. 1936 — Wittgenstein retira-se para a Noruega, onde inicia as Investigações Filosóficas.
    1938 — Elabora as Conferências e Discussões sobre Estética, Psicologia e Crença Religiosa.
    1939 — Estoura a Segunda Guerra Mundial. Sucedendo a G. E. Moore, Wittgenstein assume a cadeira de filosofia da Universidtde de Cambridge.
    1941-1943 — Trabalha como porteiro do Guys Hospital.
    1943-1944 — Trabalha como simples ajudante no Clinical Research Laboratory, em Newcastle.
    1947 — Renuncia à cadeira de filosofia.
    1951 — A 29 de abril, morre.

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  • 17:42 - 27.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    Os marginais são produtos de uma sociedade injusta, onde pessoas gananciosas apenas visam o lucro como meta, sonegando seus impostos impedindo que o Estado possa investir mais em educação de qualidade, proporcionando mais oportunidades e emprego ao povo, gerando qualidade de vida.

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  • 11:41 - 15.12.2007 Temas Filosóficos >> Filosofia Política

    Rodrigo Andrade de Almeida
    bacharelando em Direito pelas Faculdades Jorge Amado, em Salvador (BA)



    SUMÁRIO: Introdução – 1. A Filosofia Política na Antiga Grécia. – 2. A filosofia política na Idade Média. – 3. A filosofia política renascentista. – 4. Maquiavel: um capítulo à parte. – 5. A filosofia política contratualista. – 6. A gênese da Ciência Moderna. – Conclusão. – Referências Bibliográficas.

    INTRODUÇÃO

    É verdadeira praxe, no universo acadêmico brasileiro, tratar-se a Ciência Política ora como uma série de reflexões de cunho especulativo acerca do sistema de governo ideal, ora como um dado, embora ambas as abordagens sejam equivocadas, do ponto de vista técnico e mesmo epistemológico. A primeira, porque confunde a Ciência Política com a Filosofia Política; a segunda, por apresentar conceitos acabados, como se todo o arcabouço teórico da Ciência Política fosse fruto de uma sistemática constatação, e não de uma construção.

    Daí, cremos, a grande dificuldade apresentada pelo aluno de graduação, ao cursar as matérias de introdução à Ciência Política ou outras afins.

    Este ensaio pretende, em breves linhas, apresentar ao estudante de graduação, recém-saído do Ensino Médio, os conhecimentos e conceitos fundamentais para compreender o processo de formação das idéias políticas contemporâneas, através de uma análise histórica do pensamento acerca dessa temática – a política, desde os antigos gregos até a atualidade. Evidentemente, devido à própria simplicidade a que se propõe, este trabalho se não aterá às minudências do pensamento dos pensadores citados, tampouco preocupar-se-á em apresentar todos os pensadores, a fim de não tornar a leitura complexa e cansativa. Assim, nossa preocupação, ao contrário de formar expertsem Filosofia Política, será a de facilitar ao estudante a compreensão dos textos com que deparar-se-á na Faculdade, no sentido de tornar sua leitura mais dinâmica e proveitosa.

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  • 05:08 - 22.12.2007 Escolas Filosóficas >> Cinismo

    O fundador do cinismo do ponto de vista da doutrina (ou, pelo menos, de suas teses capitais) foi Antístenes, como já sabemos. Mas coube a Diógenes de Sinope a ventura de tornar-se o principal expoente e quase o símbolo desse movimento. Diógenes foi con-temporâneo (mais velho) de Alexandre. Um testemunho antigo registra ademais que ele "morreu em Corinto no mesmo dia em que Alexandre morreu na Babilônia". O encontro com Antístenes teria ocorrido deste modo, como narra uma fonte antiga: "Chegado a Atenas, Diógenes se aproximou de Antístenes. Embora este não quisesse receber ninguém como aluno, rejeitando-o, Diógenes, perseverante, conseguiu vencer a resistência. Certa vez, Antístenes ergueu o bastão contra ele, mas Diógenes apresentou-lhe a cabeça, acrescentando: 'Podes golpear, que não encontrarás ma¬deira tão dura que possa fazer-me desistir de obter que me digas alguma coisa, como me parece que deves.' A partir de então, tornou-se ouvinte de Antístenes.

    Diógenes não só levou às últimas conseqüências as instâncias levantadas por Antístenes, mas também soube torná-las substância de vida, com rigor e coerência tão radicais que, por séculos inteiros, foram consideradas verdadeiramente extraordinárias. Diógenes rompeu a imagem clássica do homem grego. E a nova que propôs logo foi considerada um paradigma: com efeito, a primeira parte da época helenística e depois ainda a época imperial reconheceriam nela a expressão de uma parte essencial de suas próprias exigências de fundo.

    O programa do nosso filósofo se expressa inteiramente na célebre frase: "procuro o homem", que, como se relata, ele pronun-ciava caminhando com a lanterna acesa em pleno dia, nos lugares mais cheios. Com evidente e provocante ironia, queria significar exatamente o seguinte: busco o homem que vive segundo sua mais autêntica essência; busco o homem que, para além de toda exterioridade, de todas as convenções da sociedade e do próprio ca-pricho da sorte e da fortuna, sabe reencontrar sua genuína natureza, sabe viver conforme essa natureza e, assim, sabe ser feliz.

    Uma fonte antiga afirma: "Diógenes, o cínico, andava gri¬tando repetidamente que os deuses concederam aos homens fáceis meios de vida, mas que, todavia, os esconderam da vista humana." O objetivo que Diógenes se propôs foi exatamente o de trazer à vista aqueles fáceis meios de vida e demonstrar que o homem tem sempre à sua disposição aquilo de que necessita para ser feliz, desde que saiba dar-se conta das exigências efetivas da sua natureza.

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  • 18:54 - 05.12.2007 Temas Filosóficos >> Filosofia da Religião

    O estudo filosófico dos conceitos e afirmações religiosas. Apesar da multiplicidade de religiões com diferentes cultos, mitos e práticas, os filósofos têm-se tradicionalmente centrado nas religiões dominantes no ocidente — o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Uma das razões deve-se ao facto de estas religiões fornecerem visões complexas acerca do modo como o mundo e o universo se comportam, ao contrário do que se passa com as religiões orientais — como o hinduísmo, o budismo e o confucionismo — que se preocupam mais em propor formas de conduta e de viver. O que interessa em geral aos filósofos é saber se a visão religiosa do universo é ou não verdadeira.

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  • 13:26 - 06.12.2007 Biografias >> Wittgenstein

    wittEM RETRATOS DE MEMÓRIA, O filósofo Bertrand Russell (1872-1970) conta que, por volta de 1913, tinha entre seus alunos da Universidade de Cambrídge um tio esquisito, a ponto de, após todo um período letivo, o filósofo não saber dizer se se tratava apenas de um excêntrico ou de um homem de gênio. Sua perplexidade aumentou ainda mais quando foi procurado pelo estranho aluno, que lhe fez uma insólita pergunta: "O senhor poderia fazer a fineza de me dizer se sou ou não um completo idiota?". Russell respondeu que não sabia e perguntou-lhe das razões de sua dúvida. O aluno replicou: "Caso seja um completo idiota, me dedicarei a aeronáutica; caso contrário, tornar-me-ei filósofo". Russell não encontrou outra saída para se desfazer da embaraçosa questão, a não ser pedindo-lhe que escrevesse um assunto filosófico qualquer, e depois lhe mostrasse. Passado algum tempo, o aluno retornou com o trabalho e o filósofo depois de ler apenas uma linha, sentenciou: "Não, você não deve se tomar um aeronauta".
    A partir daí, Wittgenstein, o aluno excêntrico, abandonou totalmente qualquer preocupação com engenharia de aviões, tornando-se não apenas mais um filósofo entre outros, mas uma das principais figuras da filosofia do século XX.

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  • 11:47 - 18.01.2008 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    "Uma vez que homem nenhum possui uma autoridade natural sobre seu semelhante, e pois que a força não produz nenhum direito, restam pois as convenções como base de toda autoridade legítima entre os homens. Se um particular diz Grotius, pode alienar a liberdade e tornar-se escravo de um senhor, por que não poderia todo um povo alienar a sua e se fazer vassalo de um rei? Há aqui excesso de termos equívocos, necessitados de explicação; mas atenhamo-nos ao termo alienar. Alienar é dar ou vender. Ora, um homem que se escraviza a outro não se dá, vende-se, pelo menos em troca da subsistência; mas um povo, por que se vende ele? Longe se acha um rei de fornecer a subsistência dos vassalos; ao contrário, deles é que tira a própria, e, segundo Rabelais, um rei não vive de pouco. Os vassalos dão, portanto, suas próprias pessoas com a condição de que se lhes tome também a fazenda. Não vejo o que lhes resta a conservar.

    Dir-se-á que o déspota assegura aos vassalos a tranqüilidade civil. Seja; mas que ganham eles com isso, se as guerras, que a ambição do déspota ocasiona, se sua insaciável avidez, se os vexames de seu ministério os aflige mais do que o fariam as próprias dissensões? Que ganham eles aí, se essa mesma tranqüilidade constitui uma de suas misérias? Vive-se igualmente tranqüilo nos calabouços;
    basta isto para se viver bem? Os gregos encerrados no antro do ciclope ali viviam tranqüilos, à espera de que chegasse a sua vez de serem devorados." [ in "Do contrato Social" - da escravidão - ROUSSEAU, Jean Jacques ]

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  • 12:46 - 29.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    Malabarismos e malabarismos de Nietzsche, ele não consegue o essencial:

    Negar a verdade.

    Incluindo-se no rol dos ateístas que crêem na sua verdade, critica a si mesmo e o ser enquanto a natureza própria desse: a de viver, e portanto ter vontade. Conclui: "É preferivel querer o nada, a nada querer."

    Traduzindo: "É preferível querer o inexistente, a nada querer. É preferível querer a utopia, querer o absurdo, a nada querer."

    Em seus malabarismos, Nietzsche nega a si mesmo enquanto ser que busca a realidade. Deseja buscar um sentido essencial a sua negação ao ideal ascético. E não consegue. Caminha para a ciência, e essa lhe diz não. Caminha para o ateísmo - e pasmem - esse lhe diz não!

    Caminha para o passado do ser, esse sim, viril, forte, livre-pensador, "negador da verdade", e portanto livre, esse sim muito livre para agir, destruindo o próximo - e consequentemente, a si mesmo...

    Busca - e quase obtém sucesso - um contra-ideal ascético no ser primata, mas se esquece que o ser que age assim, busca afirmar a si mesmo. Inevitavelmente, renasce o ascetismo - mais vigoroso do que nunca.

     

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  • 16:53 - 06.12.2007 Biografias >> Wittgenstein

    wittA teoria da figuração que se encontra no Tractatus e sua explicação de verdade lógica conduziram a uma interessante doutrina sobre a necessidade, e também a uma negação de qualquer conhecimento do futuro. Segundo o filósofo, as proposições genuínas dizem apenas como as coisas são, não como elas devem ser. A única necessidade que pode existir é a necessidade lógica expressa pelas tautologias ou por equações matemáticas. No entanto, nem as tautologias, nem as equações matemáticas dizem coisa alguma sobre o mundo. Por conseguinte, no mundo, não existe ne¬cessidade. Para Wittgenstein, tudo é acidental. Desenvolvendo essa tese, o autor do Tractatus mostra que, embora uma proposição possa ser inferida de outra (desde que haja uma conexão interna e estrutural entre elas), tal não ocorre entre o estado de coisas, cuja existência não pode ser inferida a partir de um outro estado de coisas, completamente diferente. Em suas próprias palavras, "de modo algum é possível inferir, da subsistência de uma situação, a subsistência de uma situação inteiramente diferente dela". Se isso fosse possível, tratar-se-ia de uma inferência daquilo que constituiria uma futura situação, um futuro estado de coisas. "Que o sol levante amanhã" — diz Wittgenstein — "é uma hipótese, e isso quer dizer não sabemos se realmente se levantará."

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  • 17:44 - 07.06.2009 Filosofia Moderna >> Renascimento e Humanismo

    Introdução

    O
    presente trabalho tem como objetivo o entendimento do período da Idade Moderna iniciada a partir do desgaste das respostas construídas pela Idade Média para a questão do homem, da verdade e da sociedade. Entendendo que o olhar filosófico sobre a História sempre tem como objeto a construção de um sentido argumentado de uma leitura, apresento nesse trabalho apenas uma resenha e a análise dos textos escolhidos e com apoio de outros textos e autores que tive a oportunidade de consultar.


    Os autores consultados são unânimes no entendimento de que o termo Renascença, embora tenha como característica fundamental a busca de referência na antiguidade, se coloca “a partir dela” e não “nela” para se firmar enquanto movimento. A busca de referências antigas, perdidas ou com enfoque diverso na Idade Média, desloca a noção de Homem, enquanto gênero ou espécie, de mero reprodutor e legitimador de uma estrutura hierarquizada, cujo topo se encontra o clero e a nobreza, para valorizar o gênero como um todo em sua capacidade de inovação (criativa, intelectual e espiritual); inclusive para interpretar à seu modo essa realidade que agora sai da mão da autoridade para se tornar propriedade do Homem dentro da História.

    O ser humano como microcosmo que reproduz em si a perfeição do universo criado, é tema recorrente nesse pensamento. Embora haja certa controvérsia em termos de datas em que teria se iniciado esse período histórico, é possível detectar aspectos que identifiquem sua incipiência. O humanismo enquanto concepção do mundo centralizada no Homem é um traço fundamental do período renascentista e sobre isso os autores concordam. A mudança então, a despeito de datas ou algum marco específico, identifica-se por um deslocamento cosmovisionário teocêntrico para antropocêntrico.

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  • 13:04 - 15.03.2008 Nascimento da Filosofia >> Pré-Socráticos (sec VII a V a.C.)

    Extraído de
    AXELOS. Kostas. Héraclite et la Philosophie. Seção IV – Capítulo II. Les Éditions de Minuit. França, 1962, 2ª. Edição de 1968. Tradução de Pedro Lourenço Gomes

    HERÁCLITO E A FILOSOFIA

    A VIDA HUMANA, O DESTINO E A MORTE
     

    KOSTAS AXELOS

    Heráclito também quer apreender o drama concreto da vida humana. São numerosos os testemunhos doxográficos que nos fornecem preciosos esclarecimentos sobre este movimento que conduz do nascimento à morte, e, para além da morte, a novos nascimentos. Ainda que todos estes testemunhos sejam, e devam permanecer sendo, relativamente suspeitos, não deixam de nos esclarecer, ainda que indiretamente. O incansável doxógrafo Aetius escreve: “Heráclito e os Estóicos dizem que os homens começam a atingir sua perfeição por volta dos quatorze anos, época na qual o líquido seminal se põe em movimento”. O gramático romano Censorinus precisa: “Um século é a maior duração da vida humana, que é limitada pelo nascimento e pela morte. Aqueles, por consequência, que reduziram o século a um espaço de trinta anos, cometeram manifestamente um grande erro. É Heráclito que chama este lapso de tempo de ‘geração’, já que ele envolve uma revolução da idade do homem; e ele chama de revolução da idade do homem todo o período durante o qual a natureza humana faz o retorno do semeado à semeadura”. E Plutarco de Querônia: “A duração de uma geração é de trinta anos, segundo Heráclito, espaço de tempo no qual o pai vê seu filho capaz de engendrar”.
    Philon de Alexandria confirma: “Em seu trigésimo ano um homem pode se tornar avô. Com efeito, ele chega à puberdade aos quatorze anos, idade em que pode engendrar; e aquele que ele engendrou, vindo ao mundo ao fim de um ano, pode por sua vez, em seu décimo-quinto ano, ter engendrado um ser igual a ele mesmo”.
    A criança é um ser incompleto; ela se torna (devém) homem. A verdade do ser humano está em seu desenvolvimento. Quando tem quatorze anos, a criança entra na fase de puberdade e começa desse modo a atingir a perfeição humana; seu líquido seminal está formado. O úmido é sempre o que está ligado ao nascimento, e, como “a alma exala dos úmidos”, o úmido do líquido seminal é o que faz nascer o homem enquanto homem adulto. A partir da puberdade o ser humano pode participar direta e ativamente do movimento do devenir, pois ele é capaz de engendrar. Aquele que foi engendrado pode novamente engendrar no espaço dos trinta anos, que constituem assim os limites extremos de uma “geração”. Duas vezes quinze anos formam uma geração, justamente porque durante este período o ser humano tem o tempo para ser avô; o líquido seminal descreve com seu movimento um círculo e retorna, por assim dizer, a seu ponto de partida, mas em um nível superior: a fivela está afivelada, o caminho para cima “e” o caminho para baixo se unem no círculo.

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  • 01:30 - 05.01.2008 Proto Filosofia >> Mitologias

    Trabalho Realizado por: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email - ISMAI - Instituto Superior da Maia
    2º ano Psicologia - Trabalho realizado no âmbito da disciplina de Antropologia Socio-Cultural

    O mito apesar de ser um conceito não definido de modo preciso e unânime, constitui uma realidade antropológica fundamental, pois ele não só representa uma explicação sobre as origens do homem e do mundo em que vive, como traduz por símbolos ricos de significado o modo como um povo ou civilização entende e interpreta a existência.

    Mito é uma narrativa tradicional de conteúdo religioso, que procura explicar os principais acontecimentos da vida por meio do sobrenatural. O conjunto de narrativas desse tipo e o estudo das concepções mitológicas encaradas como um dos elementos integrantes da vida social são denominados mitologia.

    A elaboração deste trabalho pretende no fundo tentar perceber até que ponto o mito é importante ou não para o desenvolvimento social, cultural e psicológico do Homem.

    O Mito uma necessidade do Homem? É a questão que procurarei esclarecer no decorrer deste trabalho.

    Definição de Mito

    Segundo Mircea Eliade, a tentativa de definir mito é a seguinte:

    o mito é uma realidade cultural extremamente complexa, que pode ser abordada e interpretada em perspectivas múltiplas e complementares....o mito conta uma história sagrada, relata um acontecimento que teve lugar no tempo primordial, o tempo fabuloso dos começos...o mito conta graças aos feitos dos seres sobrenaturais, uma realidade que passou a existir, quer seja uma realidade tetal, o Cosmos, quer apenas um fragmento, uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento humano, é sempre portanto uma narração de uma criação, descreve-se como uma coisa foi produzida, como começou a existir...
    Mircea Eliade, Aspectos do Mito, pág12/13

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  • 16:58 - 06.12.2007 Biografias >> Wittgenstein

    Tanto a filosofia formulada no Tractatus Lógico-Philosophicus (correspondente ao "primeiro Wittgenstein"), quanto a que se encontra nas obras póstumas, sobretudo nas Investigações Filosóficas e nos Cadernos Azul e Marrom, exerceram profunda influência no pensamento do século XX. Muitas das teses fundamentais dos filósofos do chamado Círculo de Viena foram desenvolvidas a partir da interpretação empirista que fizeram do Tractatus. Entre outras teses do Círculo de Viena, encontra-se o princípio da verificabilidade, segundo o qual o significado de uma proposição reduz-se ao conjunto de dados empíricos imediatos, cuja ocorrência confere veracidade à mesma, e cuja não ocorrência a torna falsa. O Círculo de Viena retirou também do Tractatus a idéia de que as proposições matemáticas são tautologias e, portanto, despidas de significado fatual.

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  • 00:00 - 07.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Miranda

    CorujaUm pequeno estudo sobre ética filosófica baseada numa frase de Hepburn para reflexão :

    A prática filosófica faz exigência morais extenuantes: honestidade e equidade para com os oponentes na argumentação; uma capacidade para tolerar uma incerteza prolongada quanto a questões sérias; a força de caráter para mudar as nossas idéias quanto a crenças básicas, e para seguir a argumentação e não as nossas inclinações emocionais; independência mental em vez da disposição para seguir as modas filosóficas.

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  • 19:12 - 29.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    "Quem deseja, sofre; quem vive, deseja; a vida é dor." (Arthur Schopenhauer)

    A dor é positiva e professora, nos leva à superação de nossos limites e nos torna mais fortes. Não deveríamos negar o valor da dor, e muito menos temê-la. Ela nos protege e nos aponta quando algo vai mal, seja com nosso corpo ou com a nossa mente. A dor induz à reflexão, ao questionamento - e o questionamento induz à verdade. E a verdade, é que não há dores insuportáveis pois essas são passageiras, possuem um fim em si mesma. Não há dores eternas, pois tudo flui. Há seres eternos - que buscam viver sem dor. Eis que há a superação eterna da dor, pois não há mais motivo para se tê-la - quando se compreende a essência da dor e de todos os sentimentos - a força motivadora, plástica, infinita e absoluta encontrada em todo o universo e disponível para os seres que sabem lidar com ela. Que Schopenhauer me perdoe, mas a vida não é dor - a vida é a superação de nossos limites incluindo aí a dor. E a superação é eterna, um eliminar gradual de nossas imperfeições rumo a nossa jornada de compreensão das verdades universais.

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  • 04:04 - 11.01.2008 Biografias >> Paul-Michel Foucault

    por Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email , graduado em filosofia

    Paul-Michel Foucault nasceu em Poitiers, na França, em 15 de outubro de 1926. Filho de pai médico, com a expectativa de seguir a tradição de seus antepassados e herdeiro de toda uma geração de médicos de sobrenome Foucault, Michel tenta ingressar na Escola Normal Superior (em 1945), tendo sido reprovado na primeira vez que tentou.

    Esse fato marcou a vida de Foucault, pois no Liceu onde foi estudar em função dessa reprovação, foi aluno de Jean Hyppolite, importante filósofo que trabalhava o hegelianismo na França. Seu próximo passo é estudar, a partir de 1946, na Escola Normal Superior da França. Ai conhece e mantém contatos com Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, Paul Veyne, entre outros. Na Escola Normal, Foucault também é aluno de Maurice Merleau-Ponty. Dois anos depois, Foucault se gradua em Filosofia na Sorbonne. Em 1949, Foucault se diploma em Psicologia e conclui seus Estudos Superiores de Filosofia , com uma tese sobre Hegel, sob a orientação de Jean Hyppolite.

    Em meio a angústias e descaminhos que levaram Foucault a algumas tentativas de suicídio, o pensador adere ao Partido Comunista Francês em 1950, ao qual fica ligado pouco tempo em função de desavenças políticas e de "intromissões" pessoais que o partido faz na vida de seus participantes, como foi o caso de Althusser e dele próprio. Em 1951, Foucault torna-se professor de psicologia na Escola Normal Superior, onde tem como alunos Derrida e Paul Veyne, entre outros. Neste mesmo ano ele trabalha junto ao Hospital Psiquiátrico de Saint-Anne.

    Também na década de 1950, evidencia-se a afinidade de Foucault pelas artes. Podemos observá-lo estudando o surrealismo, por exemplo, em 1952 e René Char em 1953. Mais ou menos nesse período, Foucault segue o famoso Seminário de Jacques Lacan. Maurice Blanchot e Georges Bataille aproximam Foucault de Nietzsche, ao mesmo tempo em que ele recebe seu diploma em Psicologia Experimental (fase em que Foucault se aplica a Janet, Piaget, Lacan e Freud). Começa, então, a fase mais produtiva, no sentido acadêmico, na vida de Foucault. Fase esta que vai até o final da década de 1970. Em 1971, Foucault assume a cadeira de Jean Hyppolite na disciplina História dos Sistemas de Pensamento. A aula inaugural de Foucault nessa cadeira foi a famosa "Ordem do discurso".

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  • 21:28 - 18.07.2008 Filosofia Clássica >> A Metafísica de Platão


    Introdução


    A Teoria das Idéias de Platão (também chamada de Teoria das Formas) faz um arremate que procura ser coerente com a concepção platônica do universo e da trajetória humana, formando juntamente com sua Teoria da Reminiscência toda uma epistemologia e ética no entendimento que esse pensador construiu sobre a realidade. Essa Teoria, assim como todas as outras, encontra-se delimitada ao longo de sua obra e não temos uma obra específica que fale estritamente dela.
     
    As raízes do pensamento platônico original remontam-nos ao Orfismo e ao Pitagorismo, sendo inclusive citados ao longo de sua obra. Na dimensão pitagórica de sua vida e obra, sua recorrente pretensão de atuação política encontra-se em sua carta endereçada a parentes e amigos de Dion de Siracusa, em 354 a.C., denotando que desde tenra idade seus objetivos eram intervir politicamente na Grécia.[i]

    Sua visão Ética, humanística e filosófica, mostra um todo coerente que desemboca num modelo de universo direcionado para a vida prática e política, dentro de certos parâmetros que visem tornar o homem um instrumento para se conhecer e revelar a Verdade das coisas como elas são.

    Os escritos de Platão são divididos, didaticamente, em três grupos[ii]: Diálogos Iniciais (relacionados com aspectos da excelência moral, a virtude e qualidades como coragem e piedade), Doutrina Platônica (onde se inclui A República e se desenvolve suas teorias como a Teoria da Forma [Idéia], Teoria do Conhecimento e relatos sobre a alma humana e seu destino) e por fim, Coleção e Divisão (marcado pelas obras As Leis, O Político e Filebo, onde explica sobre as relações entre idéias e forma, lógica e dialética.

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  • 11:40 - 14.12.2007 Temas Filosóficos >> Ética e Moral

    Texto original de Ludwig Wittgenstein
    Tradução de Darlei Dall'Agnol

    Antes de começar a falar sobre meu tema, permitam-me fazer algumas observações introdutórias. Tenho consciência de que terei grandes dificuldades para comunicar meu pensamento e penso que algumas delas diminuiriam se as mencionasse de antemão. A primeira, que quase não necessito apontar, é que o inglês não é minha língua materna. Por esta razão, meu modo de expressão não possui aquela elegância e precisão que seria desejável para quem fala sobre um tema difícil. Tudo o que posso fazer é pedir que me facilitem a tarefa tentando entender o que quero dizer, apesar das faltas que contra a gramática inglesa vou cometer continuamente. A segunda dificuldade que mencionarei é que, provavelmente, muitos de vocês vieram a esta minha conferência com falsas expectativas. Para esclarecer este ponto, direi algumas palavras sobre a razão pela qual escolhi este tema. Quando o secretário anterior honrou-me pedindo que lesse uma comunicação para esta sociedade, minha primeira idéia foi a de que deveria certamente aceitar e a segunda foi que, se tivesse a oportunidade de falar a vocês, deveria falar sobre algo que me interessava comunicar e que não deveria desperdiçá-la dando, por exemplo, uma conferência sobre lógica.

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  • 03:11 - 22.12.2007 Biografias >> Karl Raimund Popper

    Texto retirado do Livro Popper, O Historicismo e Sua Miséria – Coleção Grandes Filósofos – Frederic Raphael – Editora Unesp - Tradução de Jézio H. B. Gutierre

    Karl Raimund Popper nasceu em Viena em 28 de julho 1902. Seus pais eram de origem judia, embora tivessem convertido ao protestantismo. Seu pai, Simon, era intelectual e advogado, cuja biblioteca, dizia-se, continha 15 mil volumes. Retratos de Schopenhauer e Darwin pendiam das paredes de seu escritório. A mãe de Karl, Jenny Schiff, tinha paixão por música, compartilhada por Popper. Ele próprio, quando jovem, pensou em se devotar à música e, na qualidade de compositor amador, dedicou-se a ela durante toda sua ida.

    Karl PopperPopper cresceu em meio á fértil decadência do império Austro-Húngaro. Acadêmico precoce, ingressou na Universidade de Viena em 1918, embora não se tornasse um estudante matriculado senão em 1922, à época em que a Áustria foi reduzida, pelo Tratado de Versalhes, a uma pequena república. A inflação conseqüente restringiu sua família a algo próximo da penúria. Como estudante universitário, Popper sobreviveu lecionando (matemática, física e química) e, por algum tempo, trabalhando como marceneiro.
    Ele também se envolveu nas atividades políticas que se seguiram à dissolução do Império. Inicialmente um socialista, tornou -se comunista em 1919. Após poucos meses, contudo, horrorizou-se com o consciente derramamento de sangue durante o breve regime de Bela Kun na vizinha Hungria e se viu enojado pelo caráter especioso dos argumentos marxistas utilizados na justificação da violência revolucionária. O prospecto de um Estado Ideal, em algum lugar além do horizonte capitalista, não poderia reconciliá-lo com um programa de sacrifício humano. Se continuou a se considerar um socialista, isso, doutrinariamente, era entendido por ele como nada mais do que uma expressão de sua crença na justiça social.

    Finalmente, em consonância com as teses de Friedrich von Hayek, a cujas idéias dispensava um raro grau de deferência veio a considerar o socialismo de Estado uma forma de opressão. A liberdade, veio a sustentar, era algo mais valioso que a igualdade; caso a liberdade fosse perdida ou abandonada, a própria igualdade não poderia ser mantida entre aqueles que não fossem livres.

    O colapso do império austro húngaro não evitou que Viena se tornasse um centro de dinamismo intelectual. O anseio por uma pujante filosofia de vida pós-imperial foi suscitada pela desintegração política. Freud, Adler e o assim chamado Círculo de Viena dos filósofos positivistas liderados por Moritz Schlick (mais tarde assassinado a tiros por um estudante enlouquecido), propunham hipóteses de valor mais ou menos duradouro, às quais Popper dispensou um interesse mais ou menos duradouro. Paralelamente o marxismo era, de modo geral, apresentado como resposta à efevercência política e à confusão econômica. Da mesma forma que, logo em seguida, o Nacional Socialismo.

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  • 16:36 - 06.12.2007 Biografias >> Wittgenstein

    Além do Tractatus Logico-Philosophicus e das Investigações Lógicas, Wittgenstein deixou outras obras, das quais as mais representativas são as Observações Filosóficas, os Cadernos Azul e Marrom, redigidos entre 1933 e 1935, e Conferências e Discussões sobre Estética, Psicologia e Crença Religiosa, livro constituído por uma série de notas reunidas por alguns de seus amigos, a partir de conversas ocasionais e apontamentos de aula.
    O conjunto de sua obra é dividido, pelos intérpretes, em duas fases bem distintas, de tal forma que se pode falar de um "primeiro Wittgenstein" e de um "segundo Wittgenstein". O "primeiro" corresponde ao Tractatus, e o "segundo" encontra-se nas demais obras.

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  • 19:27 - 28.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    Uma das grandes características do ser - e que não deixa de ser também uma virtude em si - é a incorporação de suas virtudes ao seu instinto. Eis a sua nobreza, pura e incontestável. Por automatismo - e não por dever - o ser virtuoso age instintivamente, por sua natureza ser assim. Não é algo que precisa ser acionado pela mnemônica, algo que precisa ser refletido, pensado. É algo absolutamente natural. Mas dentre as virtudes do virtuoso ser, qual será a mais nobre? Digo com absoluta solidez: a lucidez, que permite a esse conhecer a realidade, nas suas mais variadas formas.

    Por muitas vezes nos desencontramos conosco mesmos, por não nos dar o honesto tempo da reflexão necessária que a realidade merece. Que a verdade, em si mesma merece. Como pequenas formigas em um labirinto, não nos damos conta que a solução é escalar as paredes, vislumbrando as coisas do alto. O universo é bem maior que o nosso pequeno labirinto, e merece a nossa atenção por uma questão muito simples: sem ele, não haveria lugar para colocar o nosso pequeno labirinto. A vida caros amigos, é uma eterna compreensão da essência das coisas.


     

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  • 21:23 - 27.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Miranda

    Esse artigo é uma colherada na colher da Palmira1 (professora e química integrante do Blog De Rerum Natura), metida na conversa entre Ludwig e Desidério nos Blogs De Rerum Natura2 e Que Treta3, respectivamente.

    Além de ela ter mencionado generosamente o Portal Philosophia em seu artigo, ela levanta questões da mais alta pertinência, que merecem um debruçar mais metódico. Como cientista e pedagoga numa área científica, eu não tenho dúvida que ela fala com propriedade. No entanto, um olhar filosófico para a ciência não faz mal algum, a meu ver, e pode até esclarecer alguns pontos importantes.

    Ela diz:

    Um cientista (...) sabe implicitamente o que é ciência (e sabe ainda melhor o que não é ciência), mas tem alguma dificuldade em defini-la explicitamente.”

    Eu tenho cá minhas dúvidas se todos os cientistas sabem o que exatamente quer dizer ciência. Tenho dúvidas inclusive se há uma possibilidade concreta de uma definição estrita do que venha a ser ciências. Parece-me que definições em certos âmbitos tendem a ser ad-hocs, sem nos trazer como conseqüência lógica uma conclusão a cerca de um termo ou conceito. Definições nominativas, isto é, aquelas cujo objetivo é apenas nomear algo evidente por si mesmo, são ad-hocs por excelência: inventa-se um nome e pronto. Se o nomeador tiver perspicácia, o nome será auto-explicativo, porém se não for, a própria observação do que se deseja definir poderá fazê-lo de maneira satisfatória.

    No entanto, não parece-me ser o caso de conceitos que envolvam construções intelectuais. Conceitos dessa monta requerem um “percorrer” de toda uma seqüência lógica que desemboque numa conclusão inferencial. Nesse caso, definir ciência, enquanto atividade que deverá, sistematicamente, afirmar verdades sobre o mundo merece mais do que “noções” intuitivas ou implícitas de quem a pratica: merece um estudo profundo de seu significado e conseqüência, que permeará toda a atividade científica de quem os possui. É claro, no entanto, que na prática acontece de forma diferente. Parece-me que somente ao longo dos anos, sob orientação de professores, na prática diária e nas pancadas que se tomam quando suas teses não passam nas bancadas, é que se aprende mesmo a fazer ciência. Logo, sua acepção conceitual volta-se para o que a Palmira nos constatou: “um cientista sabe implicitamente o que é ciência”.

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  • 17:44 - 27.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    A Atharaxia, é um dos ideais mais lindos que o Estoicismo nos deixou de herança...

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  • 23:29 - 17.12.2007 Temas Filosóficos >> Ética e Moral

    Para a maior parte das pessoas, a pergunta "por que ser bom?", distinta do ato de simplesmente obedecer à lei, é simples: Deus ordena que sejamos bons, porque a Bíblia assim exige, porque as pessoas boas vão para o céu e as más vão para o inferno. A grande maioria deriva sua moralidade da religião, o que não significa dizer que todas as pessoas religiosas sejam morais, ou de bom caráter; longe disso. Mas é fácil entender por que uma pessoa que acredita em um Deus que recompensa e pune deseja ajustar sua conduta aos mandamentos divinos. Uma análise de custo-benefício deveria ser suficiente para persuadir qualquer pessoa crédula de que o custo eterno do inferno pesa mais que qualquer benefício terreno derivado de incorrer na ira de um Deus onipotente e onisciente.

    Mesmo os céticos poderiam estar inclinados a eliminar a dúvida em favor da obediência aos comandos religiosos. Pascal asseverou, há mais de trezentos anos atrás: "Você tem de apostar. Não é opcional. Você já está envolvido. Vamos pesar o ganho e a perda de apostar na existência de Deus. Façamos uma estimativa destas duas alternativas. Se ganhar, você ganha tudo. Se perder, não perde nada. Aposte, então, sem hesitação, que Ele existe."

    Eu sempre considerei a "Aposta de Pascal" questionável. Se há lucro advindo da crença em Deus, então é preferível um agnóstico honesto que um hipócrita calculista. Professar a fé numa análise custo-benefício significa banalizar a religião. Considere, por exemplo, a decisão de Thomas More de preferir a execução terrena à condenação eterna. Quando o rei dá uma ordem e Deus outra, um crente não tem escolha. More teria, supostamente, se manifestado do seguinte modo: "Este ato do Parlamento é como uma espada com dois gumes, porque se um homem responder de determinado modo, ele comprometerá sua alma; e se responder de outro modo, comprometerá seu corpo."

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  • 00:00 - 24.01.2008 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    A questão do amor, sempre foi um problema existencial, ôntico, que por muitas vezes - e não seria leviano dizer todas as vezes - levou os homens à falha, ao insucesso.

    Toda e qualquer questão existencial, tem por essência o amor. Infelizmente, ele por muitas vezes foi subjugado, diminuído em seu potencial, relegado ao plano do instinto, do sensório, confundido com as paixões.

    A pior das falácias, é colocar o amor no patamar do ódio, como se fossem esses uma dualidade antônima, quando na verdade em absoluto não são.

    O ódio, é apenas a manifestação do instinto animal, aflorado como resquício do subconsciente e impulsionado pelo automatismo cego que move os seres e as coisas que se encontram em patamares sub-inteligentes.

    Parece fácil, levianamente colocar o amor puro, como perfecto oposto do ódio, resolvendo a questão do amor. Porém, isso faz aflorar uma série de problemas insolutos, amalgamando sentimentos com emoções, pureza com impureza, perfeição com imperfeição que impele a perfeição.

    Reduzir o amor à essa dualidade, ou até mesmo à limitada compreensão desse como meramente relativo às paixões entre os seres é reduzir o potencial do ser à necessidade do instinto, e à incompreensão da relação absoluta das coisas e da existência das coisas...

    Não, a natureza do amor não se reduz (e nem passa perto!) (d)à passionalidade dual e bipolar entre a pseudo-dicotomia com o ódio. O amor transcende esse conceito maniqueísta arraigado no inconsciente coletivo do senso comum.

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  • 22:34 - 17.12.2007 Temas Filosóficos >> Filosofia da Mente

    por António Zilhão

    De um modo geral, o público interessado em Filosofia sabe que a Filosofia da Mente contemporânea se encontra estreitamente ligada às ciências cognitivas. Porém, nem sempre a natureza desta ligação é efectivamente conhecida. Neste ensaio, irei tentar expô-la. Para o fazer, começarei por apresentar os pressupostos básicos sobre os quais ambas estas disciplinas assentam; tentarei, em seguida, tanto mostrar quais são as consequências mais importantes que deles se deixam extrair como delinear o problema crucial que elas necessitam de resolver; salientarei ainda o facto de que a Filosofia da Mente contemporânea e as Ciências cognitivas se distinguem por serem sensíveis a diferentes aspectos deste problema crucial; finalmente, exporei as dificuldades que a Filosofia da Mente experimenta no tratamento que faz do aspecto do problema ao qual ela é especialmente sensível.

    I.

    Comecemos então pela consideração dos pressupostos. A Filosofia da Mente contemporânea e as Ciências cognitivas partilham o mesmo conjunto de pressupostos essenciais. Estes são basicamente dois. O primeiro é uma concepção naturalizada de o que é a mente. Esta concepção deixa-se exprimir por meio de uma definição como a seguinte: uma mente é um dispositivo centralizado de controlo, o qual se encontra realizado nalguma estrutura física, e que comanda o modo como um certo número de objectos físicos complexos se comportam nas suas interacções com o mundo. O segundo é um determinado ponto de vista acerca dos seres dotados de mente. Este ponto de vista deixa-se caracterizar do seguinte modo: os seres dotados de mente podem, e devem, ser adequadamente descritos como sistemas cognitivos.

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