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O Sofista - Platão (Resenha)
 
Escrito por Gilberto Miranda Jr, em 15-08-2008 17:47
Avaliação do Editor
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Leitura 156    
Introdução

Platão escreve o livro O Sofista em sua chamada fase madura, e procura com esse texto reelaborar sua Teoria das Formas (Teoria das Idéias) resolvendo uma aparente aporia dada pela rigidez que ele assume a noção de Ser de Parmênides em suas obras precedentes. Desde a obra Protágoras, passando por Teeteto e encerrando em O Sofista, Platão critica sua própria teoria e discute a possibilidade das Formas se misturarem, serem capazes de uma participação recíproca, onde outrora, sob influência de Parmênides, concebia cada Forma um Ser e uma unidade.

Além desse aspecto, Platão discute a definição do Sofista (personagem contemporâneo a Sócrates e controverso) e por fim, a possibilidade de um discurso falso, naquilo que ele concebe a linguagem como tradutora da verdade.
 
Ao impetrar uma crítica à estrutura parmenediana do Ser em seu livro, Platão consegue argumentar a possibilidade do não-Ser no devir, rejeitando a idéia paradoxal que um discurso, como possuidor de Ser, contivesse a Verdade de forma necessária. Ele mostra que mesmo havendo um discurso, ele pode ser falso, não deixando de fazer parte do Ser, já que a idéia por traz dele o dava legitimidade, mesmo sendo a da falsidade. Com isso ele reformula uma parte de suas próprias concepções em livros anteriores quando se encontrava mais próximo, conceitualmente, da visão de Parmênides.

Usa como pano de fundo um diálogo onde se discute as características de um Sofista, evocando a imitação da realidade através de um discurso que visa apenas impressionar através da disputa e uso da erística, com o objetivo de convencer jovens a pagar por ensinamentos da arte retórica do convencimento. Platão defende a tese que a Filosofia é a busca da Verdade, do conhecimento (epistéme), que reside no Mundo das Idéias e que o Mundo das Aparências, que imita a realidade, se constitui no mundo das opiniões (doxas), terreno do qual os Sofistas disputam como mercadores de ciência a atenção e favores financeiros numa sociedade que se rendeu ao direito da maioria decidir o destino da polis.

Última Atualização: 15-08-2008 17:56

Publicado em : Filosofia Antiga - Clássica, A Metafísica de Platão
Palavras-Chaves (tags) : Filosofia Clássica, A Metafísica de Platão, O Sofista - Platão (Resenha), Gilberto Miranda Jr, Gilberto Miranda Junior, Miranda
Teoria das Idéias de Platão
 
Escrito por Gilberto Miranda Jr, em 18-07-2008 21:28
Avaliação do Editor
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Leitura 635    

Introdução


A Teoria das Idéias de Platão (também chamada de Teoria das Formas) faz um arremate que procura ser coerente com a concepção platônica do universo e da trajetória humana, formando juntamente com sua Teoria da Reminiscência toda uma epistemologia e ética no entendimento que esse pensador construiu sobre a realidade. Essa Teoria, assim como todas as outras, encontra-se delimitada ao longo de sua obra e não temos uma obra específica que fale estritamente dela.
 
As raízes do pensamento platônico original remontam-nos ao Orfismo e ao Pitagorismo, sendo inclusive citados ao longo de sua obra. Na dimensão pitagórica de sua vida e obra, sua recorrente pretensão de atuação política encontra-se em sua carta endereçada a parentes e amigos de Dion de Siracusa, em 354 a.C., denotando que desde tenra idade seus objetivos eram intervir politicamente na Grécia.[i]

Sua visão Ética, humanística e filosófica, mostra um todo coerente que desemboca num modelo de universo direcionado para a vida prática e política, dentro de certos parâmetros que visem tornar o homem um instrumento para se conhecer e revelar a Verdade das coisas como elas são.

Os escritos de Platão são divididos, didaticamente, em três grupos[ii]: Diálogos Iniciais (relacionados com aspectos da excelência moral, a virtude e qualidades como coragem e piedade), Doutrina Platônica (onde se inclui A República e se desenvolve suas teorias como a Teoria da Forma [Idéia], Teoria do Conhecimento e relatos sobre a alma humana e seu destino) e por fim, Coleção e Divisão (marcado pelas obras As Leis, O Político e Filebo, onde explica sobre as relações entre idéias e forma, lógica e dialética.

Última Atualização: 15-08-2008 17:57

Publicado em : Filosofia Antiga - Clássica, A Metafísica de Platão
Palavras-Chaves (tags) : Filosofia Clássica, A Metafísica de Platão, Teoria das Idéias de Platão, Teoria da Forma, Platão, Gilberto Miranda Junior
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  • 19:06 - 05.12.2007 Nascimento da Filosofia >> Pré-Socráticos (sec VII a V a.C.)

    parmenidesOs pré-socráticos são filósofos que viveram na Grécia Antiga e nas suas colônias. Assim são chamados pois são os que vieram antes de Sócrates, considerado um divisor de águas na filosofia. Muito pouco de suas obras está disponível, restando apenas fragmentos. O primeiro filósofo em que temos uma obra sistemática e com livros completos é Platão, depois Aristóteles. São chamados de filósofos da natureza, pois investigaram questões pertinentes a esta, como de que é feito o mundo. Romperam com a visão mítica e religiosa da natureza que prevalecia na época, adotando uma forma científica de pensar. Alguns se propuseram a explicar as transformações da natureza. Tinham preocupação cosmológica. A maior parte do que sabemos desses filósofos é encontrada na doxografia de Aristóteles, Platão, Simplício e na obra de Diógenes Laércio (século III d. C), Vida e obra dos filósofos ilustres. A partir do século VII a.C., há uma revolução monetária da Grécia, e advêm a ela inovações científicas. Isso colaborou com uma nova forma de pensar, mais racional. Os pré-socráticos inspiraram a interpretação de filósofos contemporâneos como Nietzsche, que nos iluminou com a sua obra A filosofia na época trágica dos Gregos e Hegel, que aplicou seu sistema na história da filosofia.

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  • 19:01 - 05.12.2007 Temas Filosóficos >> Ateismo e Ceticismo

    de Jean-Paul Dumont

    (Scepticism: Artigo da Encyclopædia Universalis, Paris, s.d.,vol:14, pp. 719-723. Tradução: Jaimir Conte)

    1.SIGNIFICADO DO CETICISMO ANTIGO
    *Dados históricos
    *Divergências das tradições
    *O fenomenismo grego
    *Evolução do relativismo
    *Os novos céticos

    2. AS TRANSFORMAÇÕES DO CETICISMO
    *História da história do ceticismo
    *Cristianismo e ceticismo
    *Racionalismo e ceticismo

    ceticismoO termo ceticismo terminou por designar atualmente, na linguagem comum, uma atitude negativa do pensamento. O cético é visto, freqüentemente, não somente como um espírito hesitante ou tímido, que não se pronuncia sobre nada, mas como aquele que, sobre qualquer coisa que é avançada, ou sobre qualquer coisa que possa dizer, se refugia na crítica. Da mesma forma, acredita-se ainda que o ceticismo é a escola da recusa e da negação categórica. Na realidade, e por sua própria etimologia (skepsis em grego significando “exame”), o ceticismo vetaria qualquer posição decidida, a começar até pela que consistiria em afirmar, muito antes de Pirro e como Metrodoro de Abdera, que somente sabemos uma coisa: que nada sabemos. Os céticos qualificam a si mesmos de zetéticos, isto é, de pesquisadores; de eféticos, que praticam a suspensão do juízo; de aporéticos, filósofos do obstáculo, da perplexidade e dos resultados não encontrados. Além disso, os historiadores latinos e gregos da filosofia cética, como Aulo-Gélio, Sexto Empírico e Diógenes Laércio, mantém uma distinção muito rigorosa entre os acadêmicos, que sustentam a impossibilidade de conhecer, e os céticos, que tomam a vida e a experiência por critérios de suas condutas. Para compreender o ceticismo, é preciso, pois, responder sucessivamente a estas duas questões: em que consistia o ceticismo antigo? Por que o ceticismo foi, na história da filosofia, ignorado e traído em sua intenção e valor?

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  • 11:41 - 15.12.2007 Temas Filosóficos >> Filosofia Política

    Rodrigo Andrade de Almeida
    bacharelando em Direito pelas Faculdades Jorge Amado, em Salvador (BA)



    SUMÁRIO: Introdução – 1. A Filosofia Política na Antiga Grécia. – 2. A filosofia política na Idade Média. – 3. A filosofia política renascentista. – 4. Maquiavel: um capítulo à parte. – 5. A filosofia política contratualista. – 6. A gênese da Ciência Moderna. – Conclusão. – Referências Bibliográficas.

    INTRODUÇÃO

    É verdadeira praxe, no universo acadêmico brasileiro, tratar-se a Ciência Política ora como uma série de reflexões de cunho especulativo acerca do sistema de governo ideal, ora como um dado, embora ambas as abordagens sejam equivocadas, do ponto de vista técnico e mesmo epistemológico. A primeira, porque confunde a Ciência Política com a Filosofia Política; a segunda, por apresentar conceitos acabados, como se todo o arcabouço teórico da Ciência Política fosse fruto de uma sistemática constatação, e não de uma construção.

    Daí, cremos, a grande dificuldade apresentada pelo aluno de graduação, ao cursar as matérias de introdução à Ciência Política ou outras afins.

    Este ensaio pretende, em breves linhas, apresentar ao estudante de graduação, recém-saído do Ensino Médio, os conhecimentos e conceitos fundamentais para compreender o processo de formação das idéias políticas contemporâneas, através de uma análise histórica do pensamento acerca dessa temática – a política, desde os antigos gregos até a atualidade. Evidentemente, devido à própria simplicidade a que se propõe, este trabalho se não aterá às minudências do pensamento dos pensadores citados, tampouco preocupar-se-á em apresentar todos os pensadores, a fim de não tornar a leitura complexa e cansativa. Assim, nossa preocupação, ao contrário de formar expertsem Filosofia Política, será a de facilitar ao estudante a compreensão dos textos com que deparar-se-á na Faculdade, no sentido de tornar sua leitura mais dinâmica e proveitosa.

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  • 16:58 - 06.12.2007 Biografias >> Wittgenstein

    Tanto a filosofia formulada no Tractatus Lógico-Philosophicus (correspondente ao "primeiro Wittgenstein"), quanto a que se encontra nas obras póstumas, sobretudo nas Investigações Filosóficas e nos Cadernos Azul e Marrom, exerceram profunda influência no pensamento do século XX. Muitas das teses fundamentais dos filósofos do chamado Círculo de Viena foram desenvolvidas a partir da interpretação empirista que fizeram do Tractatus. Entre outras teses do Círculo de Viena, encontra-se o princípio da verificabilidade, segundo o qual o significado de uma proposição reduz-se ao conjunto de dados empíricos imediatos, cuja ocorrência confere veracidade à mesma, e cuja não ocorrência a torna falsa. O Círculo de Viena retirou também do Tractatus a idéia de que as proposições matemáticas são tautologias e, portanto, despidas de significado fatual.

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  • 12:46 - 29.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    Malabarismos e malabarismos de Nietzsche, ele não consegue o essencial:

    Negar a verdade.

    Incluindo-se no rol dos ateístas que crêem na sua verdade, critica a si mesmo e o ser enquanto a natureza própria desse: a de viver, e portanto ter vontade. Conclui: "É preferivel querer o nada, a nada querer."

    Traduzindo: "É preferível querer o inexistente, a nada querer. É preferível querer a utopia, querer o absurdo, a nada querer."

    Em seus malabarismos, Nietzsche nega a si mesmo enquanto ser que busca a realidade. Deseja buscar um sentido essencial a sua negação ao ideal ascético. E não consegue. Caminha para a ciência, e essa lhe diz não. Caminha para o ateísmo - e pasmem - esse lhe diz não!

    Caminha para o passado do ser, esse sim, viril, forte, livre-pensador, "negador da verdade", e portanto livre, esse sim muito livre para agir, destruindo o próximo - e consequentemente, a si mesmo...

    Busca - e quase obtém sucesso - um contra-ideal ascético no ser primata, mas se esquece que o ser que age assim, busca afirmar a si mesmo. Inevitavelmente, renasce o ascetismo - mais vigoroso do que nunca.

     

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  • 10:18 - 15.12.2007 Temas Filosóficos >> Retórica e Oratória

    RETÓRICA E NOVA RETÓRICA: A TRADIÇÃO GREGA E A TEORIA DA ARGUMENTAÇÃO DE CHAIM PERELMAN

    Gustavo de Britto Freire Pacheco

    1. Introdução

    1.1. Conceito

    A palavra Retórica (originária do grego rhetoriké, "arte da retórica", subentendendo-se o substantivo téchne) tem sido entendida historicamente em acepções muito diversas. Em sentido lato, a retórica se mistura com a poética, consistindo na arte da eloqüência em qualquer tipo de discurso. Não é esse, no entanto, o sentido que nos interessa no estudo que procederemos a seguir, mas a concepção mais restrita que identifica a retórica como "a faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, pode ser capaz de gerar a persuasão"1, segundo a definição aristotélica. Nesse sentido, a retórica é uma modalidade discursiva geral, aplicável às mais variadas disciplinas - uma atividade em que predomina a forma, como a gramática e a dialética, e não o conteúdo2.

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  • 16:26 - 03.01.2008 Filosofia Clássica >> Os Sofistas

    Texto extraído na íntegra do livro:
    Marcondes, Danilo – Iniciação à História da Filosofia: dos Pré-Socráticos a Wittgenstein – 10ª Edição – Zahar Editores - 2006 - páginas 42, 43 e 44 mais Notas.

    Os sofistas surgem exatamente nesse momento de passagem da tirania e da oligarquia para a democracia. São os mestres de retórica e oratória, muitas vezes mestres itinerantes, que percorrem as cidades-estados fornecendo seus ensinamentos, sua técnica, suas habilidades aos governantes e aos políticos em geral. Embora sem formar uma escola ou grupo homogêneo, o que os caracteriza é muito mais uma prática ou uma atitude comuns do que uma doutrina única. Há portanto uma paideia, um ensinamento, uma formação pela qual os sofistas foram responsáveis, consistindo basicamente numa determinada forma de preparação do cidadão para a participação na vida política. Sua função nesse contexto foi importantíssima e sua influência muito grande, o que se reflete na forte oposição que sofreram por parte de Sócrates, Platão e Aristóteles. Os sofistas foram portanto filósofos e educadores, além de mestres de retórica e de oratória, embora este papel lhes seja negado, p.ex. por Platão. É difícil por isso mesmo termos uma avaliação mais concreta de sua função e mesmo de sua concepção filosófica e pedagógica. Além de termos uma situação semelhante à dos pré-socráticos quanto aos textos dos sofistas, isto é, tudo o que nos resta são frag­mentos, citações, testemunhos, esta dificuldade se agrava pelo fato de que, em grande parte, a maioria destas citações e testemunhos nos chegaram através de seus princi­pais adversários, Platão e Aristóteles, que pintaram um retrato bastante negativo desses pensadores. Os próprios termos "sofista" e "sofisma"3 acabaram por adquirir uma conotação fortemente depreciativa, embora "sofista" inicialmente significasse tão-somente "sábio". Apenas recentemente os intérpretes e historiadores têm procu­rado revalorizar a contribuição dos sofistas, através de uma visão mais isenta e objetiva de suas doutrinas, bem como de seu papel, influência e contribuição à filosofia e aos estudos da linguagem.4

    Os principais e mais conhecidos sofistas foram Protágoras de Abdera (c.490-421 a.C.), Górgias de Leontinos (c.487-380 a.C.), Hípias de Elis, Licofron, Pródicos, que teria sido inclusive mestre de Sócrates5, e Trasímaco, embora tenham existido muitos outros dos quais conhecemos pouco mais do que os nomes.

    Nossa análise irá se concentrar em Protágoras e em Górgias, que foram talvez os mais importantes e influentes sofistas, e dos quais Platão nos legou um retrato bastante elaborado nos diálogos Protágoras e Górgias, respectivamente.

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  • 04:13 - 26.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Miranda

    Parece-me que pode virar um costume comentários meus a respeito de artigos de Desidério Murcho e Ludwig Krippahl, e pode mesmo. Os artigos e textos de ambos nos fazem refletir filosoficamente, mesmo que talvez, eles postem em seus Blogs uma receita de café com baunilha. É impossível ficar incólume aos questionamentos que eles lançam: as comichões de escrever considerações a respeito vêm a qualquer postulante a filósofo como eu.

    Coruja - FilosofiaCurioso foi sentir essa comichão e, por coincidência, ter assistido a um vídeo filosófico do Paulo Ghiraldelli1, onde ele afirma, de forma coerente a meu ver, que: “o primeiro procedimento (ao estudar filosofia) é nunca ler um texto de filosofia para se tirar a idéia principal”. Achei, por demais, interessante essa afirmação. Seus argumentos, nesse procedimento, centram-se na postura do filósofo que, ao ler outro, enriquece e amplia o texto lido, ao invés de tentar resumi-lo. Um filósofo, segundo Ghiraldelli, tem, em sua argumentação, uma dimensão maior do que o ponto principal abordado em suas incursões sobre um tema, e que, ao comentá-lo, devemos nos dedicar a percorrer os argumentos todos e fazer o texto ficar maior do que ele é. Claro que aqui, ele não se refere necessariamente ao tamanho do texto, mas sim à sua profundidade e alcance epistemológico.

    Os textos de Murcho e Krippahl nos convidam a isso. E é nessa postura que pretendo considerá-los em meus comentários, correndo o risco de levar a cabo a recomendação de Ghiraldelli no que concerne ao tamanho também. Risco tomado; vamos às considerações.

    Ciência e Verdade

    Em sua réplica2 ao comentário sobre seu artigo feito pelo Ludwig, Desidério coloca como causa a questão da ciência esgotando a racionalidade. Parece-me também que a discussão centrou-se nesse ponto, do qual inicio a partir das considerações de ambos. (vale lembrar a necessária leitura de todo o contexto, como avisado no meu artigo anterior3).

    Desidério elege como mote, pedra de torque ou cerne de toda discussão a que nos dedicamos nesses artigos, a afirmação cientificista de que “nenhuma verdade escapa aos métodos científicos de descoberta da verdade”. Penso ter falado algo sobre isso em meu artigo anterior comentando sobre essa discussão. Na ocasião, pincelei algumas considerações as quais me aprofundo com alguns detalhes importantes:

    A questão de quem profere que existe Deus ou não, com a mesma ênfase proselitista (mesmo que cercado de argumentos plausíveis) está justamente na pretensão soberba de deter uma verdade escorregadia e movediça que, embora apodítica em nossa subjetividade, careça de objetivismo estrito, mesmo na inferência de que ela esteja completa quando encerrada em ambiente controlado num laboratório, ou mesmo que jamais seja possível que ela fosse explicitada dessa forma.”

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  • 20:50 - 11.03.2008 Nascimento da Filosofia >> Pré-Socráticos (sec VII a V a.C.)

    Texto extraído de:

    REALE, Giovanni, ANTISERI, Dario. História da Filosofia. Volume I – Antiguidade e Idade Média. São Paulo. Editora Paullus, 1990 – Coleção Filosofia. p.38 – 47.

    Os pitagóricos e o número como princípio

    Pitágoras e os chamados "pitagóricos"

    PitagorasPitágoras nasceu em Samos, vivendo o apogeu de sua vida em torno de 530 a.C. e morrendo no início do século V a.C. O mais conhecido dos antigos biógrafos dos filósofos, Diógenes Laércio, assim resume as etapas de sua vida: "Jovem e ávido de ciência, abandonou sua pátria e foi iniciado em todos os ritos mistéricos, tanto gregos como bárbaros. Depois, foi para o Egito (...); depois, esteve entre os caldeus e os magos. Posteriormente, em Creta, com Epimênides, entrou no antro de Ida, mas também no Egito entrou nos santuários e aprendeu os arcanos da teologia egípcia. Então, retornou a Samos e, encontrando sua pátria sob a tirania de Polícrates, levantou velas para Crotona, na Itália. Ali, elaborou leis para os italiotas e conseguiu grande fama, juntamente com seus seguidores, que em número de cerca de trezentos, administravam tão bem a coisa pública que seu governo foi quase uma aristocracia." Talvez as viagens ao Oriente tenham sido uma invenção posterior. Mas é certo que Crotona foi a cidade em que Pitágoras operou principalmente. Mas as doutrinas pitagóricas também tiveram muita difusão em inúmeras outras cidades da Itália meridional e da Sicília: de Síbari a Régio, de Locri a Meta ponto, de Agrigento a Catânia. Além de filosófica e religiosa, como vimos, a influência dos pitagóricos também foi notável no campo político. O ideal político pitagórico era uma forma de aristocracia baseada nas novas camadas dedicadas especialmente ao comércio, que, como já dissemos, ha­viam alcançado um elevado nível nas colônias, antes ainda do que na mãe-pátria. Conta-se que os crotonienses, temendo que Pitágoras quisesse tornar-se tirano da cidade, incendiaram o prédio em que ele se havia reunido com seus discípulos. Segundo algumas fontes, Pitágoras teria morrido nessas circunstâncias; segundo outros, porém, teria conseguido fugir, vindo a morrer em Metaponto. Mui­tos escritos são atribuídos a Pitágoras, mas os que chegaram até nós sob o seu nome são falsificações de épocas posteriores. É possível que o seu ensinamento tenha sido somente (ou predominantemen­te) oral.

    Podemos dizer muito pouco, senão pouquíssimo, sobre o pensamento original desse pensador, bem como acerca dos dados reais de sua vida. As numerosas Vidas de Pitágoras posteriores não têm credibilidade histórica, porque logo depois de sua morte (e talvez já nos últimos anos de sua vida) o nosso filósofo já havia perdido os traços humanos aos olhos de seus seguidores: ele era venerado quase como nume e sua palavra tinha quase o valor de oráculo. A expressão com que se referiam à sua doutrina tornou-se muito famosa: "ele o disse" (autos épha; ipse dixit). Aristóteles não tinha mais à disposição elementos que lhe permitissem distinguir Pitágoras dos seus discípulos. Assim, falava dos "chamados pi­tagóricos", ou seja, os filósofos "que eram chamados" ou "que se chamavam" pitagóricos, filósofos que procuravam juntos a verdade e que, portanto, não se diferenciavam singularmente.

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  • 17:42 - 27.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    Os marginais são produtos de uma sociedade injusta, onde pessoas gananciosas apenas visam o lucro como meta, sonegando seus impostos impedindo que o Estado possa investir mais em educação de qualidade, proporcionando mais oportunidades e emprego ao povo, gerando qualidade de vida.

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  • 23:45 - 17.12.2007 Temas Filosóficos >> Filosofia Política

    A. O princípio de hereditariedade

    Em 1689 e 1690, logo após a revolução de 1688, escreveu Locke os dois Tratados do Governo, dos quais o segundo tem especial importância na história das ideias políticas.

    O primeiro critica a doutrina do poder hereditário. É uma resposta ao Patriarca ou o Poder Natural dos Reis, de Sir Robert Filmer, publicado em 1680 mas escrito no tempo de Carlos I. Sir Robert Filmer, defensor do direito divino dos reis, teve a infelicidade de viver até 1653 e deve ter sofrido muito com a execução de Carlos I e a vitória de Cromwell. Mas Patriarca foi escrito antes de esses factos mas não antes da guerra civil, e por isso mostra conhecimento da existência de doutrinas subversivas, que reconhece não serem novas em 1640. De facto, teólogos protestantes e católicos, em discussão com os respectivos monarcas, tinham afirmado vigorosamente o direito de os súbditos resistirem a príncipes tiranos, e esses escritos deram a Sir Robert abundante material de controvérsia. Sir Robert Filmer fora armado cavaleiro por Carlos I e diz-se que os parlamentaristas lhe saquearam dez vezes a casa. Não julga improvável que Noé tivesse percorrido o Mediterrâneo e dividido a Ásia, África e a Europa por Ham, Sem, e Japheth, respectivamente. Pensava que segundo a Constituição inglesa, os Lords apenas podiam aconselhar o rei; e os Comuns tinham ainda menos poder; diz que só o rei faz as leis, expressão da sua vontade e que é perfeitamente livre de controle humano, não pode estar ligado a actos dos seus predecessores, nem mesmo aos seus, por "ser naturalmente impossível um homem dar lei a si próprio".

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  • 12:15 - 15.12.2007 Temas Filosóficos >> Retórica e Oratória

    Paulo Serra, Universidade da Beira Interior
    Ano lectivo 1995/96

    I. INTRODUÇÃO
    II. DA RETÓRICA À TEORIA DA ARGUMENTAÇÃO
    1. A RETÓRICA ANTIGA
    2. PERELMAN E A "NOVA RETÓRICA"
    III. DUCROT: A ARGUMENTAÇÃO NA LÍNGUA
    1. ARGUMENTAÇÃO E RACIOCÍNIO
    2. OPERADORES E CONECTORES ARGUMENTATIVOS
    3. CLASSES E ESCALAS ARGUMENTATIVAS
    4. O PRESSUPOSTO E O IMPLÍCITO
    IV. ANÁLISE DE UM TEXTO DE PLATÃO
    1. SITUAÇÃO DE DISCURSO
    2. A LÓGICA DA ARGUMENTAÇÃO
    3. CLASSES E ESCALAS ARGUMENTATIVAS
    4. O PRESSUPOSTO E O IMPLÍCITO
    4.1. O PRESSUPOSTO
    4.2. O IMPLÍCITO
    5. OS ACTOS ILOCUTÓRIOS
    6. OPERADORES E CONECTORES ARGUMENTATIVOS
    NOTAS
    BIBLIOGRAFIA
    ANEXO

    I. INTRODUÇÃO

    É um lugar comum, hoje em dia, dizer-se que o século XX é o "século da linguagem".
    Factores como o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunica-ção (mediante as quais toda a experiência humana tende a tornar-se linguagem e comuni-cação), a consolidação dos regimes democráticos (em que a palavra, e não a violência ou a força, se assume como instrumento da actividade política), a "crise de fundamentos" que sacudiu as Matemáticas nos princípios do século, o desenvolvimento científico e técnico em geral, vêm trazer para primeiro plano a necessidade de estudar os fenómenos da comunicação e da linguagem. Como resultado desta necessidade, a problemática da linguagem "invadiu as ciências humanas e a filosofia." (Meyer, 1992: 5).

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  • 00:09 - 18.12.2007 Temas Filosóficos >> Filosofia da Educação

    por WALTER OMAR KOHAN

    RESUMO: O presente trabalho busca pensar o valor de O mestre ignorante como exercício de filosofia da educação, em particular contrapondo-o a um modo, dominante, de exercer esse saber no seio de nossas instituições. Trata-se de uma história singular, pela qual todo mestre pode se perguntar por que e para que ensina; e, o que é ainda mais importante, pela qual pode questionar-se que diabos está fazendo consigo mesmo e com os outros, a cada vez que se veste de mestre em uma sala de aula. Depreendemos, desse exercício, três lições:

    a) o mais natural, evidente e aceito socialmente acaba sendo, filosoficamente, o mais problemático;
    b) somente pelo paradoxo, entranhados no lodo paradoxal, podemos encontrar algum sentido na educação;
    c) só há uma educação que vale a pena: a que emancipa (sem emancipar). Quem não deixa que os(as) outros(as) se emancipem embrutece.

    A filosofia da educação ocupa um lugar pouco interessante no universo acadêmico, ao menos em nossos países hispano- americanos. Depreciada na imensa maioria dos departamentos
    de filosofia das instituições de formação superior, acolhida nos de educação, costuma ser matéria obrigatória nos cursos de formação de mestres. Tornada, assim, muitas vezes, o único espaço de contato com a filosofia durante todo o processo de formação, seus docentes, programas e bibliografia costumam manter, no melhor dos casos, um caráter enciclopédico, totalizador e fundacionista. Em todo o caso, o repertório não parece muito variado: aqui, a história das idéias filosóficas sobre a educação; lá, correntes do pensamento filosófico sobre a educação; ou, então, o estudo das divisões mais ou menos claras do saber pedagógico, segundo orientações bastante clássicas do conhecimento filosófico: um pouco de epistemologia, outro tanto de axiologia e de ontologia, usadas para explicar o fenômeno educativo. Dessa forma, o aluno mais afortunado poderá compreender, com a ajuda de um mestre explicador, um saber filosófico, histórico ou sistemático, sobre a educação. Aprenderá a distinguir, com as explicações que recebeu, escolas e orientações pedagógicas, períodos, conceitos e categorias, que habilmente relacionará às correntes de pensamento já instituídas. Para os menos afortunados, essas mesmas explicações funcionarão, muito mais simplesmente, como uma espécie de doutrinação educativa, que os infundirá, brutal ou delicadamente, da firme crença nos fins, nos valores e nos ideais que deverão passar a perseguir.

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  • 21:28 - 18.07.2008 Filosofia Clássica >> A Metafísica de Platão


    Introdução


    A Teoria das Idéias de Platão (também chamada de Teoria das Formas) faz um arremate que procura ser coerente com a concepção platônica do universo e da trajetória humana, formando juntamente com sua Teoria da Reminiscência toda uma epistemologia e ética no entendimento que esse pensador construiu sobre a realidade. Essa Teoria, assim como todas as outras, encontra-se delimitada ao longo de sua obra e não temos uma obra específica que fale estritamente dela.
     
    As raízes do pensamento platônico original remontam-nos ao Orfismo e ao Pitagorismo, sendo inclusive citados ao longo de sua obra. Na dimensão pitagórica de sua vida e obra, sua recorrente pretensão de atuação política encontra-se em sua carta endereçada a parentes e amigos de Dion de Siracusa, em 354 a.C., denotando que desde tenra idade seus objetivos eram intervir politicamente na Grécia.[i]

    Sua visão Ética, humanística e filosófica, mostra um todo coerente que desemboca num modelo de universo direcionado para a vida prática e política, dentro de certos parâmetros que visem tornar o homem um instrumento para se conhecer e revelar a Verdade das coisas como elas são.

    Os escritos de Platão são divididos, didaticamente, em três grupos[ii]: Diálogos Iniciais (relacionados com aspectos da excelência moral, a virtude e qualidades como coragem e piedade), Doutrina Platônica (onde se inclui A República e se desenvolve suas teorias como a Teoria da Forma [Idéia], Teoria do Conhecimento e relatos sobre a alma humana e seu destino) e por fim, Coleção e Divisão (marcado pelas obras As Leis, O Político e Filebo, onde explica sobre as relações entre idéias e forma, lógica e dialética.

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  • 10:52 - 17.12.2007 Temas Filosóficos >> Estética e Arte

    A teoria tem tido um papel central na estética e ainda é a preocupação da filosofia da arte. A sua maior preocupação continua a ser, assumidamente, a determinação da natureza da arte, que possa ser formulada por meio de uma definição. Ela concebe a definição como a afirmação das propriedades necessárias e suficientes daquilo que está a ser definido, e esta afirmação diz algo de verdadeiro ou falso acerca da essência da arte, acerca daquilo que a caracteriza e a distingue de tudo o resto. Cada uma das grandes teorias da arte -- formalismo, voluntarismo, emocionalismo, intelectualismo, intuicionismo, organicismo -- converge na tentativa de enunciar as propriedades definidoras da arte. Cada uma delas reclama ser a verdadeira teoria por ter formulado correctamente a verdadeira definição da natureza da arte; e reivindica que as restantes teorias são falsas por terem deixado de fora alguma propriedade necessária ou suficiente. Muitos especialistas mantêm que o seu empreendimento não é um mero exercício intelectual, mas antes uma necessidade absoluta para qualquer compreensão da arte e da nossa correcta avaliação artística. Eles afirmam que, a não ser que saibamos o que é a arte, quais as suas propriedades necessárias e suficientes, não podemos reagir adequadamente à arte nem dizer por que razão uma obra é boa ou melhor do que outra. Assim, a teoria estética não só é importante em si mesma, mas também em relação aos fundamentos quer da apreciação quer da crítica de arte. Os filósofos, os críticos e mesmo os artistas que escreveram sobre arte, concordam que o que é primário em estética é a teoria acerca da sua natureza.

    Será a teoria estética possível, no sentido de uma definição verdadeira ou de um conjunto de propriedades necessárias e suficientes da arte? Mais que não seja, a própria história da estética obriga-nos a fazer uma pausa. Além da existência de várias teorias, parece não estarmos hoje mais perto do nosso objectivo do que estávamos no tempo de Platão. Cada época, cada movimento artístico, cada filosofia da arte, tentou vezes sem conta estabelecer o seu ideal para depois ser sucedida por uma teoria nova ou revista, a qual se baseou, pelo menos em parte, na rejeição das teorias precedentes. Mesmo hoje, quase todos aqueles que se interessam por questões estéticas continuam profundamente ligados à esperança de que aparecerá uma teoria correcta da arte. Basta inspeccionar os numerosos livros novos sobre arte nos quais novas definições são apresentadas, ou, especialmente no nosso país, os manuais e antologias básicas para reconhecermos quão forte é a prioridade dada a uma teoria da arte.

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  • 17:44 - 27.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    A Atharaxia, é um dos ideais mais lindos que o Estoicismo nos deixou de herança...

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  • 19:22 - 29.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    A amizade de alguém é uma forma mui especial de amar. Pois admirar, compreender, ou nada disso, apenas se afinizar, é reflexo daquilo que buscamos em nós mesmos: Ressonância para nossa alma, espelho para nosso espírito e portanto, parceria para eternidade.

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  • 17:01 - 06.12.2007 Biografias >> Wittgenstein

    1889 — A 26 de abril, em Viena, nasce Ludwig Josef Johann Wittgenstein
    1904 — Nasce John Arthur Terence Dibben Wisdom, em Londres.
    1912 — Wittgenstein ingressa no Trinity College.
    1913 — Submete-se à hipnose, visando esclarecer intrincadas questões lógicas.
    1914 — Inicia-se a Primeira Guerra Mundial. Wittgenstetn alista-se, voluntariamente, no exército austríaco.
    1918 — Com o colapso do Império Austro-Húngaro. é aprisionado pelos italianos.
    1921 — A revista de Wilhelm Ostwald, Annalender Naturphilosophie, publica o Tractatus Lógico-Philosophicus, de Wittgenstein.
    1926 — Wittgenstein trabalha como ajudante de jardineiro do mosteiro de Hüt-teldorf.
    1929 — Wittgenstein retorna a Cambrídge, onde, em junho, doutora-se com o Tractatus.
    1930 — Redige as Observações Filosóficas.
    1931 — Wisdom publica Interpretação e Análise.
    1933-1935 — Wittgenstein escreve os Cadernos Azul e Marrom. 1936 — Wittgenstein retira-se para a Noruega, onde inicia as Investigações Filosóficas.
    1938 — Elabora as Conferências e Discussões sobre Estética, Psicologia e Crença Religiosa.
    1939 — Estoura a Segunda Guerra Mundial. Sucedendo a G. E. Moore, Wittgenstein assume a cadeira de filosofia da Universidtde de Cambridge.
    1941-1943 — Trabalha como porteiro do Guys Hospital.
    1943-1944 — Trabalha como simples ajudante no Clinical Research Laboratory, em Newcastle.
    1947 — Renuncia à cadeira de filosofia.
    1951 — A 29 de abril, morre.

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  • 15:56 - 16.12.2007 Temas Filosóficos >> Ontologia e Cosmologia

    É do objeto da Metafísica, como já tivemos oportunidade de expor, examinar e discutir a existência ou não de diversos tipos de realidade.

    Se um cosmos (de Cosmos, em grego, universo organizado em oposição a Caos) tem realmente uma ordem, se é um e único, se há vários, se entre eles há pontos de contato ou não, se forma uma unidade ou uma pluralidade, se essa unidade é homogênea ou o produto de uma pluralidade, heterogênea portanto, que se unifica, etc, tais perguntas cabem à Metafísica responder.

    Desde logo se vê que, para enfrentar tais temas, em suas raízes, fundadas em muitas disciplinas científicas, não podemos prescindir dos estudos que a ciência oferece. E esta é a razão porque as posições bárbaras de divórcio da filosofia e da ciência não se sustentam mais, senão para os que fazem literatura da filosofia, que, por deficiência de um método capaz de unir as elevadas intenções de uma e de outra, não compreendem a cooperação que deve haver e há em todo saber epistêmico em benefício do próprio homem.

    Não se alegue, porém, com o total desinteresse como carac-terística da filosofia, que estaria bem, até certo ponto, numa classe de ociosos, que tinha escravos para cuidar da satisfação de suas necessidades. Nossa época é uma época de reintegração do homem no cosmos, e este luta pela sua potencialização e, para tanto, não pode prescindir da ciência, que por deixar de ser excludente em seus métodos, tornou-se ascendente e benéfica, apesar, algumas vezes, do mau destino que se tenha dado às suas construções.

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  • 03:58 - 22.12.2007 Escolas Filosóficas >> Ceticismo

    por Sara Bizarro

    "O Céptico é outro inimigo da religião, que naturalmente provoca a indignação de todos os teólogos e filósofos mais meditabundos, embora seja certo que ninguém encontrou alguma vez uma tal absurda criatura, ou conversou com um homem que não tivesse nenhuma opinião ou princípio relativo a qualquer assunto, quer de acção, quer de especulação. Isto gera uma questão muito natural: o que significa ser um céptico? E até que ponto é possível instigar os princípios filosóficos da dúvida e da incerteza?"

    Enquiry, secção XXII, Parte I, §166

    David Hume é tradicionalmente classificado como uma filósofo céptico e até mesmo irracionalista. Mas, o que significa ser um céptico? Neste ensaio vou tentar clarificar em que sentido é que Hume pode ser considerado um céptico e que tipo de cepticismo lhe pode ser coerentemente atribuído.

    O ensaio está dividido em três partes. Na primeira parte começarei por caracterizar o cepticismo radical, que é a versão tradicional do cepticismo. Defenderei que este tipo de cepticismo, sendo auto-refutante e abstracto, não podia ser o defendido por Hume. Caracterizarei em seguida o cepticismo epistemológico, diferente do cepticismo radical (uma espécie de falibilismo). Defenderei que Hume é partidário de um cepticismo epistemológico moderado.

    Na segunda parte tentarei caracterizar aquilo que se costuma chamar "o lado construtivo da filosofia de Hume". Perante o dilema (ou pseudo-dilema) céptico, ou seja, perante a não fundamentação dedutiva do nosso conhecimento comum, Hume propõe o hábito como sendo simultaneamente a origem e a explicação das crenças humanas básicas. Esta solução, também chamada de "solução céptica", pode ser utilizada por quem queira defender a interpretação irracionalista da filosofia de Hume. No entanto, esta defesa só poderá ser considerada se o hábito for tomado como um propensão subjectiva mais ou menos irregular, o que não é o caso na filosofia de Hume. Para sublinhar o carácter não subjectivo e universal do hábito apresentarei a definição que Hume dá do hábito como instinto e introduzirei a ideia de "sabedoria da natureza" como estando na origem dessa propensão universal.

    Na terceira parte, tentarei mostrar como a ideia de um Hume céptico é incompatível com a ideia de um Hume anti-metafísico (má metafísica); como o temperamento científico de Hume dá indicação de que ele não é um céptico no sentido forte; e como o cepticismo não é um resultado da filosofia de Hume mas apenas um instrumento ao serviço tanto da vida comum como das novas ciências da natureza. Para mostrar isto será também necessário clarificar o conceito(s) de razão implícitos nesta discussão e descartar definitivamente a hipótese irracionalista.

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  • 12:08 - 14.12.2007 Temas Filosóficos >> Metafísica

    por Richard Taylor

    É costume dizer-se que cada um tem sua Filosofia e até que todos os homens têm opiniões metafísicas. Nada poderia ser mais tolo. É verdade que todos os homens têm opiniões, e que algumas delas - tais como as opiniões sobre religião, moral e o significado da vida - confinam com a Filosofia e a Metafísica, mas raros são os homens que possuem qualquer concepção de Filosofia e ainda menos os que têm qualquer noção de Metafísica.

    William James definiu algures a Metafísica como "apenas um esforço extraordinariamente obstinado para pensar com clareza". Não são muitas as pessoas que assim pensam, exceto quando seus interesses práticos estão envolvidos. Não têm necessidade de assim pensar e, daí, não sentem qualquer propensão para o fazer. Excetuando algumas raras almas meditativas, os homens percorrem a vida aceitando como axiomas, simplesmente, aquelas questões da existência, propósito e significado que aos metafísicos parecem sumamente intrigantes. O que sobretudo exige a atenção de todas as criaturas, e de todos os homens, é a necessidade de sobreviver e, uma vez que isso fique razoavelmente assegurado, a necessidade de existir com toda a segurança possível. Todo pensamento começa aí, e a sua maior parte cessa aí. Sentimo-nos mais à vontade para pensar como fazer isto ou aquilo. Por isso a engenharia, a política e a indústria são muito naturais aos homens. Mas a Metafísica não se interessa, de modo algum, pelos "comos" da vida e sim apenas pelos "porquês", pelas questões que é perfeitamente fácil jamais formular durante uma vida inteira.

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  • 11:47 - 18.01.2008 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    "Uma vez que homem nenhum possui uma autoridade natural sobre seu semelhante, e pois que a força não produz nenhum direito, restam pois as convenções como base de toda autoridade legítima entre os homens. Se um particular diz Grotius, pode alienar a liberdade e tornar-se escravo de um senhor, por que não poderia todo um povo alienar a sua e se fazer vassalo de um rei? Há aqui excesso de termos equívocos, necessitados de explicação; mas atenhamo-nos ao termo alienar. Alienar é dar ou vender. Ora, um homem que se escraviza a outro não se dá, vende-se, pelo menos em troca da subsistência; mas um povo, por que se vende ele? Longe se acha um rei de fornecer a subsistência dos vassalos; ao contrário, deles é que tira a própria, e, segundo Rabelais, um rei não vive de pouco. Os vassalos dão, portanto, suas próprias pessoas com a condição de que se lhes tome também a fazenda. Não vejo o que lhes resta a conservar.

    Dir-se-á que o déspota assegura aos vassalos a tranqüilidade civil. Seja; mas que ganham eles com isso, se as guerras, que a ambição do déspota ocasiona, se sua insaciável avidez, se os vexames de seu ministério os aflige mais do que o fariam as próprias dissensões? Que ganham eles aí, se essa mesma tranqüilidade constitui uma de suas misérias? Vive-se igualmente tranqüilo nos calabouços;
    basta isto para se viver bem? Os gregos encerrados no antro do ciclope ali viviam tranqüilos, à espera de que chegasse a sua vez de serem devorados." [ in "Do contrato Social" - da escravidão - ROUSSEAU, Jean Jacques ]

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  • 22:34 - 17.12.2007 Temas Filosóficos >> Filosofia da Mente

    por António Zilhão

    De um modo geral, o público interessado em Filosofia sabe que a Filosofia da Mente contemporânea se encontra estreitamente ligada às ciências cognitivas. Porém, nem sempre a natureza desta ligação é efectivamente conhecida. Neste ensaio, irei tentar expô-la. Para o fazer, começarei por apresentar os pressupostos básicos sobre os quais ambas estas disciplinas assentam; tentarei, em seguida, tanto mostrar quais são as consequências mais importantes que deles se deixam extrair como delinear o problema crucial que elas necessitam de resolver; salientarei ainda o facto de que a Filosofia da Mente contemporânea e as Ciências cognitivas se distinguem por serem sensíveis a diferentes aspectos deste problema crucial; finalmente, exporei as dificuldades que a Filosofia da Mente experimenta no tratamento que faz do aspecto do problema ao qual ela é especialmente sensível.

    I.

    Comecemos então pela consideração dos pressupostos. A Filosofia da Mente contemporânea e as Ciências cognitivas partilham o mesmo conjunto de pressupostos essenciais. Estes são basicamente dois. O primeiro é uma concepção naturalizada de o que é a mente. Esta concepção deixa-se exprimir por meio de uma definição como a seguinte: uma mente é um dispositivo centralizado de controlo, o qual se encontra realizado nalguma estrutura física, e que comanda o modo como um certo número de objectos físicos complexos se comportam nas suas interacções com o mundo. O segundo é um determinado ponto de vista acerca dos seres dotados de mente. Este ponto de vista deixa-se caracterizar do seguinte modo: os seres dotados de mente podem, e devem, ser adequadamente descritos como sistemas cognitivos.

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  • 16:33 - 29.12.2007 Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza

    Um holograma é uma fotografia tridimensional feita com a ajuda de um laser.

    Para fazer um holograma, o objeto a ser fotografado é primeiro banhado com a luz de um raio laser. Então um segundo raio laser é colocado fora da luz refletida do primeiro e o padrão resultante de interferência (a área aonde se combinam estes dois raios laser) é capturada no filme. Quando o filme é revelado, parece um rodamoinho de luzes e linhas escuras. Mas logo que este filme é iluminado por um terceiro raio laser, aparece a imagem tridimensional do objeto original.

    A tridimensionalidade destas imagens não é a única característica importante dos hologramas. Se o holograma de uma rosa é cortado na metade e então iluminado por um laser, em cada metade ainda será encontrada uma imagem da rosa inteira. E mesmo que seja novamente dividida cada parte do filme sempre apresentará uma menor, mas ainda intacta versão da imagem original. Diferente das fotografias normais, cada parte de um holograma contém toda a informação possuída pelo todo.

    A natureza de "todo em cada parte " de um holograma nos proporciona uma maneira inteiramente nova de entender organização e ordem.

     

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  • 12:10 - 16.12.2007 Temas Filosóficos >> Ontologia e Cosmologia

    Na Metafísica, IV, 1, Aristóteles empregava estas palavras: "Há uma ciência que estuda o Ser enquanto ser, e seus atributos essenciais, Ela não se confunde com nenhuma das outras ciências chamadas particulares, pois nenhuma delas considera o Ser em geral, enquanto ser, mas, recortando uma certa parte do ser, somente desta parte estudam o atributo essencial; como, por exemplo, procedem as ciências matemáticas".

    Mas já que procuramos os primeiros princípios e as causas mais elevadas, é evidente que existe necessariamente alguma realidade à qual tais princípios e causas pertencem, em virtude de sua própria natureza. Se, pois. os filósofos, que buscavam os seres, procurassem esses mesmos princípios, resultaria daí necessariamente que os elementos do Ser são elementos deste, não; enquanto acidente, mas enquanto ser. Eis por que devemos estudar as causas primeiras do "Ser enquanto ser."

    Estas palavras de Aristóteles sobre a filosofia primeira (proto philosophia a philosophia prima dos escolásticos) são ainda o melhor e mais claro enunciado sobre a ciência em que ora penetramos, a Ontologia ou Metafísica Geral. Assim também é chamada, porque estuda o ser enquanto ser, isto é, tomando-o na sua maior universalidade.

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