Platão escreve o livro O Sofista em sua chamada fase madura, e procura com esse texto reelaborar sua Teoria das Formas (Teoria das Idéias) resolvendo uma aparente aporia dada pela rigidez que ele assume a noção de Ser de Parmênides em suas obras precedentes. Desde a obra Protágoras, passando por Teeteto e encerrando em O Sofista, Platão critica sua própria teoria e discute a possibilidade das Formas se misturarem, serem capazes de uma participação recíproca, onde outrora, sob influência de Parmênides, concebia cada Forma um Ser e uma unidade.
Além desse aspecto, Platão discute a definição do Sofista (personagem contemporâneo a Sócrates e controverso) e por fim, a possibilidade de um discurso falso, naquilo que ele concebe a linguagem como tradutora da verdade.
Ao impetrar uma crítica à estrutura parmenediana do Ser em seu livro, Platão consegue argumentar a possibilidade do não-Ser no devir, rejeitando a idéia paradoxal que um discurso, como possuidor de Ser, contivesse a Verdade de forma necessária. Ele mostra que mesmo havendo um discurso, ele pode ser falso, não deixando de fazer parte do Ser, já que a idéia por traz dele o dava legitimidade, mesmo sendo a da falsidade. Com isso ele reformula uma parte de suas próprias concepções em livros anteriores quando se encontrava mais próximo, conceitualmente, da visão de Parmênides.
Usa como pano de fundo um diálogo onde se discute as características de um Sofista, evocando a imitação da realidade através de um discurso que visa apenas impressionar através da disputa e uso da erística, com o objetivo de convencer jovens a pagar por ensinamentos da arte retórica do convencimento. Platão defende a tese que a Filosofia é a busca da Verdade, do conhecimento (epistéme), que reside no Mundo das Idéias e que o Mundo das Aparências, que imita a realidade, se constitui no mundo das opiniões (doxas), terreno do qual os Sofistas disputam como mercadores de ciência a atenção e favores financeiros numa sociedade que se rendeu ao direito da maioria decidir o destino da polis.
A Teoria das Idéias de Platão (também chamada de Teoria das Formas) faz um arremate que procura ser coerente com a concepção platônica do universo e da trajetória humana, formando juntamente com sua Teoria da Reminiscência toda uma epistemologia e ética no entendimento que esse pensador construiu sobre a realidade. Essa Teoria, assim como todas as outras, encontra-se delimitada ao longo de sua obra e não temos uma obra específica que fale estritamente dela.
As raízes do pensamento platônico original remontam-nos ao Orfismo e ao Pitagorismo, sendo inclusive citados ao longo de sua obra. Na dimensão pitagórica de sua vida e obra, sua recorrente pretensão de atuação política encontra-se em sua carta endereçada a parentes e amigos de Dion de Siracusa, em 354 a.C., denotando que desde tenra idade seus objetivos eram intervir politicamente na Grécia.[i]
Sua visão Ética, humanística e filosófica, mostra um todo coerente que desemboca num modelo de universo direcionado para a vida prática e política, dentro de certos parâmetros que visem tornar o homem um instrumento para se conhecer e revelar a Verdade das coisas como elas são.
Os escritos de Platão são divididos, didaticamente, em três grupos[ii]: Diálogos Iniciais (relacionados com aspectos da excelência moral, a virtude e qualidades como coragem e piedade), Doutrina Platônica (onde se inclui A República e se desenvolve suas teorias como a Teoria da Forma [Idéia], Teoria do Conhecimento e relatos sobre a alma humana e seu destino) e por fim, Coleção e Divisão (marcado pelas obras As Leis, O Político e Filebo, onde explica sobre as relações entre idéias e forma, lógica e dialética.
15:56 - 16.12.2007Temas Filosóficos >> Ontologia e Cosmologia
É do objeto da Metafísica, como já tivemos oportunidade de expor, examinar e discutir a existência ou não de diversos tipos de realidade.
Se um cosmos (de Cosmos, em grego, universo organizado em oposição a Caos) tem realmente uma ordem, se é um e único, se há vários, se entre eles há pontos de contato ou não, se forma uma unidade ou uma pluralidade, se essa unidade é homogênea ou o produto de uma pluralidade, heterogênea portanto, que se unifica, etc, tais perguntas cabem à Metafísica responder.
Desde logo se vê que, para enfrentar tais temas, em suas raízes, fundadas em muitas disciplinas científicas, não podemos prescindir dos estudos que a ciência oferece. E esta é a razão porque as posições bárbaras de divórcio da filosofia e da ciência não se sustentam mais, senão para os que fazem literatura da filosofia, que, por deficiência de um método capaz de unir as elevadas intenções de uma e de outra, não compreendem a cooperação que deve haver e há em todo saber epistêmico em benefício do próprio homem.
Não se alegue, porém, com o total desinteresse como carac-terística da filosofia, que estaria bem, até certo ponto, numa classe de ociosos, que tinha escravos para cuidar da satisfação de suas necessidades. Nossa época é uma época de reintegração do homem no cosmos, e este luta pela sua potencialização e, para tanto, não pode prescindir da ciência, que por deixar de ser excludente em seus métodos, tornou-se ascendente e benéfica, apesar, algumas vezes, do mau destino que se tenha dado às suas construções.
19:10 - 05.12.2007Blogs dos Articulistas >> Miranda
Uma vida feliz, doce e sempre digna de ser vivida é o desejo de todo ser humano razoavelmente são. Mas como conseguir tal vida se a todo instante somos acometidos por variados desejos nunca satisfeitos e aspirações frustradas pelas contingências ? Epicuro nos ensina como conseguir tal coisa.
Curiosamente, ao contrário do que muitos pensam, Epicuro não pregava o prazer pelo prazer, nem a satisfação de prazeres imediatos. Associam o Epicurismo ao Hedonismo de forma totalmente equivocada. Epicuro faz clara distinção entre prazeres inferiores e superiores, colocando-os como sensíveis e espirituais, respectivamente.
19:27 - 28.12.2007Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza
Uma das grandes características do ser - e que não deixa de ser também uma virtude em si - é a incorporação de suas virtudes ao seu instinto. Eis a sua nobreza, pura e incontestável. Por automatismo - e não por dever - o ser virtuoso age instintivamente, por sua natureza ser assim. Não é algo que precisa ser acionado pela mnemônica, algo que precisa ser refletido, pensado. É algo absolutamente natural. Mas dentre as virtudes do virtuoso ser, qual será a mais nobre? Digo com absoluta solidez: a lucidez, que permite a esse conhecer a realidade, nas suas mais variadas formas.
Por muitas vezes nos desencontramos conosco mesmos, por não nos dar o honesto tempo da reflexão necessária que a realidade merece. Que a verdade, em si mesma merece. Como pequenas formigas em um labirinto, não nos damos conta que a solução é escalar as paredes, vislumbrando as coisas do alto. O universo é bem maior que o nosso pequeno labirinto, e merece a nossa atenção por uma questão muito simples: sem ele, não haveria lugar para colocar o nosso pequeno labirinto. A vida caros amigos, é uma eterna compreensão da essência das coisas.
12:15 - 15.12.2007Temas Filosóficos >> Retórica e Oratória
Paulo Serra, Universidade da Beira Interior
Ano lectivo 1995/96
I. INTRODUÇÃO
II. DA RETÓRICA À TEORIA DA ARGUMENTAÇÃO
1. A RETÓRICA ANTIGA
2. PERELMAN E A "NOVA RETÓRICA"
III. DUCROT: A ARGUMENTAÇÃO NA LÍNGUA
1. ARGUMENTAÇÃO E RACIOCÍNIO
2. OPERADORES E CONECTORES ARGUMENTATIVOS
3. CLASSES E ESCALAS ARGUMENTATIVAS
4. O PRESSUPOSTO E O IMPLÍCITO
IV. ANÁLISE DE UM TEXTO DE PLATÃO
1. SITUAÇÃO DE DISCURSO
2. A LÓGICA DA ARGUMENTAÇÃO
3. CLASSES E ESCALAS ARGUMENTATIVAS
4. O PRESSUPOSTO E O IMPLÍCITO
4.1. O PRESSUPOSTO
4.2. O IMPLÍCITO
5. OS ACTOS ILOCUTÓRIOS
6. OPERADORES E CONECTORES ARGUMENTATIVOS
NOTAS
BIBLIOGRAFIA
ANEXO
I. INTRODUÇÃO
É um lugar comum, hoje em dia, dizer-se que o século XX é o "século da linguagem".
Factores como o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunica-ção (mediante as quais toda a experiência humana tende a tornar-se linguagem e comuni-cação), a consolidação dos regimes democráticos (em que a palavra, e não a violência ou a força, se assume como instrumento da actividade política), a "crise de fundamentos" que sacudiu as Matemáticas nos princípios do século, o desenvolvimento científico e técnico em geral, vêm trazer para primeiro plano a necessidade de estudar os fenómenos da comunicação e da linguagem. Como resultado desta necessidade, a problemática da linguagem "invadiu as ciências humanas e a filosofia." (Meyer, 1992: 5).
por
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, graduado em filosofia
Paul-Michel Foucault nasceu em Poitiers, na França, em 15 de outubro de 1926. Filho de pai médico, com a expectativa de seguir a tradição de seus antepassados e herdeiro de toda uma geração de médicos de sobrenome Foucault, Michel tenta ingressar na Escola Normal Superior (em 1945), tendo sido reprovado na primeira vez que tentou.
Esse fato marcou a vida de Foucault, pois no Liceu onde foi estudar em função dessa reprovação, foi aluno de Jean Hyppolite, importante filósofo que trabalhava o hegelianismo na França. Seu próximo passo é estudar, a partir de 1946, na Escola Normal Superior da França. Ai conhece e mantém contatos com Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, Paul Veyne, entre outros. Na Escola Normal, Foucault também é aluno de Maurice Merleau-Ponty. Dois anos depois, Foucault se gradua em Filosofia na Sorbonne. Em 1949, Foucault se diploma em Psicologia e conclui seus Estudos Superiores de Filosofia , com uma tese sobre Hegel, sob a orientação de Jean Hyppolite.
Em meio a angústias e descaminhos que levaram Foucault a algumas tentativas de suicídio, o pensador adere ao Partido Comunista Francês em 1950, ao qual fica ligado pouco tempo em função de desavenças políticas e de "intromissões" pessoais que o partido faz na vida de seus participantes, como foi o caso de Althusser e dele próprio. Em 1951, Foucault torna-se professor de psicologia na Escola Normal Superior, onde tem como alunos Derrida e Paul Veyne, entre outros. Neste mesmo ano ele trabalha junto ao Hospital Psiquiátrico de Saint-Anne.
Também na década de 1950, evidencia-se a afinidade de Foucault pelas artes. Podemos observá-lo estudando o surrealismo, por exemplo, em 1952 e René Char em 1953. Mais ou menos nesse período, Foucault segue o famoso Seminário de Jacques Lacan. Maurice Blanchot e Georges Bataille aproximam Foucault de Nietzsche, ao mesmo tempo em que ele recebe seu diploma em Psicologia Experimental (fase em que Foucault se aplica a Janet, Piaget, Lacan e Freud). Começa, então, a fase mais produtiva, no sentido acadêmico, na vida de Foucault. Fase esta que vai até o final da década de 1970. Em 1971, Foucault assume a cadeira de Jean Hyppolite na disciplina História dos Sistemas de Pensamento. A aula inaugural de Foucault nessa cadeira foi a famosa "Ordem do discurso".
17:42 - 27.12.2007Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza
Os marginais são produtos de uma sociedade injusta, onde pessoas gananciosas apenas visam o lucro como meta, sonegando seus impostos impedindo que o Estado possa investir mais em educação de qualidade, proporcionando mais oportunidades e emprego ao povo, gerando qualidade de vida.
00:00 - 07.12.2007Blogs dos Articulistas >> Miranda
Um pequeno estudo sobre ética filosófica baseada numa frase de Hepburn para reflexão :
”A prática filosófica faz exigência morais extenuantes: honestidade e equidade para com os oponentes na argumentação; uma capacidade para tolerar uma incerteza prolongada quanto a questões sérias; a força de caráter para mudar as nossas idéias quanto a crenças básicas, e para seguir a argumentação e não as nossas inclinações emocionais; independência mental em vez da disposição para seguir as modas filosóficas.”
21:28 - 18.07.2008Filosofia Clássica >> A Metafísica de Platão
Introdução
A Teoria das Idéias de Platão (também chamada de Teoria das Formas) faz um arremate que procura ser coerente com a concepção platônica do universo e da trajetória humana, formando juntamente com sua Teoria da Reminiscência toda uma epistemologia e ética no entendimento que esse pensador construiu sobre a realidade. Essa Teoria, assim como todas as outras, encontra-se delimitada ao longo de sua obra e não temos uma obra específica que fale estritamente dela.
As raízes do pensamento platônico original remontam-nos ao Orfismo e ao Pitagorismo, sendo inclusive citados ao longo de sua obra. Na dimensão pitagórica de sua vida e obra, sua recorrente pretensão de atuação política encontra-se em sua carta endereçada a parentes e amigos de Dion de Siracusa, em 354 a.C., denotando que desde tenra idade seus objetivos eram intervir politicamente na Grécia.[i]
Sua visão Ética, humanística e filosófica, mostra um todo coerente que desemboca num modelo de universo direcionado para a vida prática e política, dentro de certos parâmetros que visem tornar o homem um instrumento para se conhecer e revelar a Verdade das coisas como elas são.
Os escritos de Platão são divididos, didaticamente, em três grupos[ii]: Diálogos Iniciais (relacionados com aspectos da excelência moral, a virtude e qualidades como coragem e piedade), Doutrina Platônica (onde se inclui A República e se desenvolve suas teorias como a Teoria da Forma [Idéia], Teoria do Conhecimento e relatos sobre a alma humana e seu destino) e por fim, Coleção e Divisão (marcado pelas obras As Leis, O Político e Filebo, onde explica sobre as relações entre idéias e forma, lógica e dialética.
Tanto a filosofia formulada no Tractatus Lógico-Philosophicus (correspondente ao "primeiro Wittgenstein"), quanto a que se encontra nas obras póstumas, sobretudo nas Investigações Filosóficas e nos Cadernos Azul e Marrom, exerceram profunda influência no pensamento do século XX. Muitas das teses fundamentais dos filósofos do chamado Círculo de Viena foram desenvolvidas a partir da interpretação empirista que fizeram do Tractatus. Entre outras teses do Círculo de Viena, encontra-se o princípio da verificabilidade, segundo o qual o significado de uma proposição reduz-se ao conjunto de dados empíricos imediatos, cuja ocorrência confere veracidade à mesma, e cuja não ocorrência a torna falsa. O Círculo de Viena retirou também do Tractatus a idéia de que as proposições matemáticas são tautologias e, portanto, despidas de significado fatual.
19:01 - 05.12.2007Temas Filosóficos >> Ateismo e Ceticismo
de Jean-Paul Dumont
(Scepticism: Artigo da Encyclopædia Universalis, Paris, s.d.,vol:14, pp. 719-723. Tradução: Jaimir Conte)
1.SIGNIFICADO DO CETICISMO ANTIGO
*Dados históricos
*Divergências das tradições
*O fenomenismo grego
*Evolução do relativismo
*Os novos céticos
2. AS TRANSFORMAÇÕES DO CETICISMO
*História da história do ceticismo
*Cristianismo e ceticismo
*Racionalismo e ceticismo
O termo ceticismo terminou por designar atualmente, na linguagem comum, uma atitude negativa do pensamento. O cético é visto, freqüentemente, não somente como um espírito hesitante ou tímido, que não se pronuncia sobre nada, mas como aquele que, sobre qualquer coisa que é avançada, ou sobre qualquer coisa que possa dizer, se refugia na crítica. Da mesma forma, acredita-se ainda que o ceticismo é a escola da recusa e da negação categórica. Na realidade, e por sua própria etimologia (skepsis em grego significando “exame”), o ceticismo vetaria qualquer posição decidida, a começar até pela que consistiria em afirmar, muito antes de Pirro e como Metrodoro de Abdera, que somente sabemos uma coisa: que nada sabemos. Os céticos qualificam a si mesmos de zetéticos, isto é, de pesquisadores; de eféticos, que praticam a suspensão do juízo; de aporéticos, filósofos do obstáculo, da perplexidade e dos resultados não encontrados. Além disso, os historiadores latinos e gregos da filosofia cética, como Aulo-Gélio, Sexto Empírico e Diógenes Laércio, mantém uma distinção muito rigorosa entre os acadêmicos, que sustentam a impossibilidade de conhecer, e os céticos, que tomam a vida e a experiência por critérios de suas condutas. Para compreender o ceticismo, é preciso, pois, responder sucessivamente a estas duas questões: em que consistia o ceticismo antigo? Por que o ceticismo foi, na história da filosofia, ignorado e traído em sua intenção e valor?
21:23 - 27.12.2007Blogs dos Articulistas >> Miranda
Esse artigo é uma colherada na colher da Palmira1 (professora e química integrante do Blog De Rerum Natura), metida na conversa entre Ludwig e Desidério nos Blogs De Rerum Natura2 e Que Treta3, respectivamente.
Além de ela ter mencionado generosamente o Portal Philosophia em seu artigo, ela levanta questões da mais alta pertinência, que merecem um debruçar mais metódico. Como cientista e pedagoga numa área científica, eu não tenho dúvida que ela fala com propriedade. No entanto, um olhar filosófico para a ciência não faz mal algum, a meu ver, e pode até esclarecer alguns pontos importantes.
Ela diz:
“Um cientista (...) sabe implicitamente o que é ciência (e sabe ainda melhor o que não é ciência), mas tem alguma dificuldade em defini-la explicitamente.”
Eu tenho cá minhas dúvidas se todos os cientistas sabem o que exatamente quer dizer ciência. Tenho dúvidas inclusive se há uma possibilidade concreta de uma definição estrita do que venha a ser ciências. Parece-me que definições em certos âmbitos tendem a ser ad-hocs, sem nos trazer como conseqüência lógica uma conclusão a cerca de um termo ou conceito. Definições nominativas, isto é, aquelas cujo objetivo é apenas nomear algo evidente por si mesmo, são ad-hocs por excelência: inventa-se um nome e pronto. Se o nomeador tiver perspicácia, o nome será auto-explicativo, porém se não for, a própria observação do que se deseja definir poderá fazê-lo de maneira satisfatória.
No entanto, não parece-me ser o caso de conceitos que envolvam construções intelectuais. Conceitos dessa monta requerem um “percorrer” de toda uma seqüência lógica que desemboque numa conclusão inferencial. Nesse caso, definir ciência, enquanto atividade que deverá, sistematicamente, afirmar verdades sobre o mundo merece mais do que “noções” intuitivas ou implícitas de quem a pratica: merece um estudo profundo de seu significado e conseqüência, que permeará toda a atividade científica de quem os possui. É claro, no entanto, que na prática acontece de forma diferente. Parece-me que somente ao longo dos anos, sob orientação de professores, na prática diária e nas pancadas que se tomam quando suas teses não passam nas bancadas, é que se aprende mesmo a fazer ciência. Logo, sua acepção conceitual volta-se para o que a Palmira nos constatou: “um cientista sabe implicitamente o que é ciência”.
1889 — A 26 de abril, em Viena, nasce Ludwig Josef Johann Wittgenstein 1904 — Nasce John Arthur Terence Dibben Wisdom, em Londres. 1912 — Wittgenstein ingressa no Trinity College. 1913 — Submete-se à hipnose, visando esclarecer intrincadas questões lógicas. 1914 — Inicia-se a Primeira Guerra Mundial. Wittgenstetn alista-se, voluntariamente, no exército austríaco. 1918 — Com o colapso do Império Austro-Húngaro. é aprisionado pelos italianos. 1921 — A revista de Wilhelm Ostwald, Annalender Naturphilosophie, publica o Tractatus Lógico-Philosophicus, de Wittgenstein. 1926 — Wittgenstein trabalha como ajudante de jardineiro do mosteiro de Hüt-teldorf. 1929 — Wittgenstein retorna a Cambrídge, onde, em junho, doutora-se com o Tractatus. 1930 — Redige as Observações Filosóficas. 1931 — Wisdom publica Interpretação e Análise. 1933-1935 — Wittgenstein escreve os Cadernos Azul e Marrom. 1936 — Wittgenstein retira-se para a Noruega, onde inicia as Investigações Filosóficas. 1938 — Elabora as Conferências e Discussões sobre Estética, Psicologia e Crença Religiosa. 1939 — Estoura a Segunda Guerra Mundial. Sucedendo a G. E. Moore, Wittgenstein assume a cadeira de filosofia da Universidtde de Cambridge. 1941-1943 — Trabalha como porteiro do Guys Hospital. 1943-1944 — Trabalha como simples ajudante no Clinical Research Laboratory, em Newcastle. 1947 — Renuncia à cadeira de filosofia. 1951 — A 29 de abril, morre.
Além do Tractatus Logico-Philosophicus e das Investigações Lógicas, Wittgenstein deixou outras obras, das quais as mais representativas são as Observações Filosóficas, os Cadernos Azul e Marrom, redigidos entre 1933 e 1935, e Conferências e Discussões sobre Estética, Psicologia e Crença Religiosa, livro constituído por uma série de notas reunidas por alguns de seus amigos, a partir de conversas ocasionais e apontamentos de aula. O conjunto de sua obra é dividido, pelos intérpretes, em duas fases bem distintas, de tal forma que se pode falar de um "primeiro Wittgenstein" e de um "segundo Wittgenstein". O "primeiro" corresponde ao Tractatus, e o "segundo" encontra-se nas demais obras.
"Quem perseverar na sua pesquisa é levado, mais cedo ou mais tarde, a mudar de método"
(Goethe).
O Dicionário Houaiss apresenta o seguinte verbete:
epistemologia - s.f. (1942 cf. PD3) FIL 1 reflexão geral em torno da natureza, etapas e limites do conhecimento humano, esp. nas relações que se estabelecem entre o sujeito indagativo e o objeto inerte, as duas polaridades tradicionais do processo cognitivo; teoria do conhecimento cf. gnosiologea 2 freq. estudo dos postulados, conclusões e métodos dos diferentes ramos do saber científico, ou das teorias e práticas em geral, avaliadas em sua validade cognitiva, ou descritas em suas trajetórias evolutivas, seus paradigmas estruturais ou suas relações com a sociedade e a história; teoria da ciência ETIM epistem- + -o- + -logia.
O primeiro sentido é o de uma teoria do conhecimento, onde buscamos a natureza, as etapas e os limites do conhecimento humano, o que leva a estudar, inclusive, os processos cognitivos individuais (psicologia cognitiva) e sociais (a formação e a validade das ciências). Procura responder as perguntas: O que é conhecer?, O que podemos conhecer?, Como podemos conhecer?, O que nos motiva a conhecer?
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Resumo
Este trabalho tem como intenção expor a noção de epokhé no ceticismo pirrônico; como os céticos alcançam a tranqüilidade da alma (ataraxia) mediante seu uso; qual a sua origem e quais as mudanças sofridas por esta noção até chegar à definição usada pelos céticos: “O ceticismo pirrônico”. Desta forma, investigamos, neste trabalho, a possível coerência ou incoerência da noção de epokhé (suspensão do juízo) frente às outras caracterizações atribuídas ao movimento cético.
A noção de epokhé e central para a compreensão, do ceticismo pirrônico[1], como os céticos alcançam a tranqüilidade da alma (ataraxia) mediante seu uso. Investigaremos aqui, qual a sua origem e quais as mudanças sofridas por esta noção até chegar à definição usada por eles. O ceticismo[2] pirrônico[3] (pirróneios) também foi caracterizado como aporético (aporetiké); investigativo (zetetiké); e também como suspensivo (ephektiké). Porém, é a noção de suspensão do juízo (epokhé) que é mais usada tecnicamente e de modo fundamental no ceticismo. Segundo Sexto Empírico:
"A orientação cética recebe o nome de Zetetiké (investigadora) devido a sua atividade de investigação e observação, ephektiké (suspensiva) pela disposição de ânimo que se produz no cético depois da investigação, aporética pelo seu hábito de duvidar e investigar tudo, ou como dizem alguns, por sua indecisão a respeito do assentimento ou da negação..." (SEXTO EMPÍRICO, I, 1-3).
Levando o cético pirrônico a suspender o juízo (epokhé) diante da impossibilidade da escolha sobre argumentos equivalentes acerca de qualquer questão, “... e pirrônicas porque nos parece que Pirro se entregou ao ceticismo de forma mais consciente e mais manifesta que os outros que o precederam”.(SEXTO EMPIRICO, I, 1- 4.).
A noção de epokhé não é criação do ceticismo pirrônico, pois recorrendo a história da filosofia constatamos que tal noção já era usada pelos estóicos. E para evitar confusão entre ambas filosofias e entender o objeto de discussão, há a necessidade de explicar como os estóicos contribuíram para a fundamentação do ceticismo mediante a noção de epokhé. Isto fica evidente em algumas passagens do primeiro livro das Hipotiposes pirrônicos de Sexto Empírico.
A teoria da figuração que se encontra no Tractatus e sua explicação de verdade lógica conduziram a uma interessante doutrina sobre a necessidade, e também a uma negação de qualquer conhecimento do futuro. Segundo o filósofo, as proposições genuínas dizem apenas como as coisas são, não como elas devem ser. A única necessidade que pode existir é a necessidade lógica expressa pelas tautologias ou por equações matemáticas. No entanto, nem as tautologias, nem as equações matemáticas dizem coisa alguma sobre o mundo. Por conseguinte, no mundo, não existe ne¬cessidade. Para Wittgenstein, tudo é acidental. Desenvolvendo essa tese, o autor do Tractatus mostra que, embora uma proposição possa ser inferida de outra (desde que haja uma conexão interna e estrutural entre elas), tal não ocorre entre o estado de coisas, cuja existência não pode ser inferida a partir de um outro estado de coisas, completamente diferente. Em suas próprias palavras, "de modo algum é possível inferir, da subsistência de uma situação, a subsistência de uma situação inteiramente diferente dela". Se isso fosse possível, tratar-se-ia de uma inferência daquilo que constituiria uma futura situação, um futuro estado de coisas. "Que o sol levante amanhã" — diz Wittgenstein — "é uma hipótese, e isso quer dizer não sabemos se realmente se levantará."
18:40 - 11.03.2008Nascimento da Filosofia >> Pré-Socráticos (sec VII a V a.C.)
Texto extraído de:
REALE, Giovanni, ANTISERI, Dario. História da Filosofia. Volume I – Antiguidade e Idade Média. São Paulo. Editora Paullus, 1990 – Coleção Filosofia. p.35 – 38.
Heráclito de Éfeso
Heráclito de Éfeso viveu entre os séculos VI e V a. C. Tinha caráter desencontrado e temperamento esquivo e desdenhoso. Não quis participar de modo algum da vida pública, como registra uma fonte antiga: "Solicitado pelos concidadãos a elaborar as leis da cidade, recusou-se, porque elas já haviam caído no arbítrio por sua má constituição." Escreveu um livro intitulado Sobre a natureza, do qual chegaram até nós numerosos fragmentos, talvez constituído de uma série de aforismos e intencionalmente elaborado de modo obscuro e num estilo que recorda as sentenças oraculares, "para que dele se aproximassem somente aqueles que o podiam" e o vulgo se mantivesse distante. E o fez para evitar a depreciação e a desilusão daqueles que, lendo coisas aparentemente fáceis, acreditam entender aquilo que, no entanto, não entendem. Por isso, foi denominado "Heráclito, o Obscuro".
Os filósofos de Mileto haviam notado o dinamismo universal das coisas, que nascem, crescem e perecem, bem como do mundo — aliás, dos mundos —, submetido ao mesmo processo. Além disso, haviam pensado o dinamismo como característica essencial do próprio "princípio" que gera, sustenta e reabsorve todas as coisas. Entretanto, não haviam levado adequadamente tal aspecto da realidade ao nível temático. E é precisamente isso o que faz Heráclito. "Tudo se move", "tudo escorre" (panta rhei), nada permanece imóvel e fixo, tudo muda e se transmuta, sem exceção. Em dois de seus mais famosos fragmentos podemos ler: "Não se po de descer duas vezes o mesmo rio e não se pode tocar duas vezes uma substância mortal no mesmo estado, pois, por causa da impetuosidade e da velocidade da mudança, ela se dispersa e se reúne, vem e vai. (...) Nós descemos e não descemos pelo mesmo rio, nós mesmos somos e não somos."
E claro o sentido desses fragmentos: o rio é "aparentemente" sempre o mesmo, mas, "na realidade", é constituído por águas sempre novas e diferentes, que sobrevém e se dispersam. Por isso, não se pode descer duas vezes à mesma água do rio, precisamente porque ao se descer pela segunda vez já se trata de outra água que sobreveio. E também porque, nós mesmos mudamos: no momento em que completamos uma imersão no rio, já nos tornamos diferentes de como éramos quando nos movemos para nele imergir. Dessa forma, Heráclito pode muito bem dizer que nós entramos e não entramos no mesmo rio. E pode dizer também que nós somos e não somos, porque, para ser aquilo que somos em determinado momento, devemos não-ser-mais aquilo que éramos no momento anterior, do mesmo modo que, para continuarmos a ser, devemos continuamente não-ser-mais aquilo que somos em cada momento. E isso, segundo Heráclito, vale para toda realidade, sem exceção.
16:33 - 29.12.2007Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza
Um holograma é uma fotografia tridimensional feita com a ajuda de um laser.
Para fazer um holograma, o objeto a ser fotografado é primeiro banhado com a luz de um raio laser. Então um segundo raio laser é colocado fora da luz refletida do primeiro e o padrão resultante de interferência (a área aonde se combinam estes dois raios laser) é capturada no filme. Quando o filme é revelado, parece um rodamoinho de luzes e linhas escuras. Mas logo que este filme é iluminado por um terceiro raio laser, aparece a imagem tridimensional do objeto original.
A tridimensionalidade destas imagens não é a única característica importante dos hologramas. Se o holograma de uma rosa é cortado na metade e então iluminado por um laser, em cada metade ainda será encontrada uma imagem da rosa inteira. E mesmo que seja novamente dividida cada parte do filme sempre apresentará uma menor, mas ainda intacta versão da imagem original. Diferente das fotografias normais, cada parte de um holograma contém toda a informação possuída pelo todo.
A natureza de "todo em cada parte " de um holograma nos proporciona uma maneira inteiramente nova de entender organização e ordem.
19:22 - 29.12.2007Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza
A amizade de alguém é uma forma mui especial de amar. Pois admirar, compreender, ou nada disso, apenas se afinizar, é reflexo daquilo que buscamos em nós mesmos: Ressonância para nossa alma, espelho para nosso espírito e portanto, parceria para eternidade.
18:50 - 17.01.2008Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza
"Sou um amante fanático da liberdade, considerando-a como o único espaço onde podem crescer e desenvolver-se a inteligência, a dignidade e a felicidade dos homens; não esta liberdade formal, outorgada e regulamentada pelo Estado, mentira eterna que, em realidade, representa apenas o privilégio de alguns, apoiada na escravidão de todos; (...) só aceito uma única liberdade que possa ser realmente digna deste nome, a liberdade que consiste no pleno desenvolvimento de todas as potencialidades materiais, intelectuais e morais que se encontrem em estado latente em cada um (...)." (Mikhail Bakunin, anarquista russo)
Mikhail Bakunin, pensador e ativista do século XIX tinha uma mente voraz. Pregava a dissolução de todo e qualquer poder regulamentador que viesse a tolher a liberdade do indivíduo, impedindo que seus potenciais e atributos ainda latentes viessem a florescer. De certa forma tinha lá sua parcela de razão. Mas ao adotar o radicalismo ao repelir toda e qualquer forma de regulamentação, incorre no erro da ortodoxia extremada ao não verificar que existe a possibilidade da existência do poder regulamentador que viesse justamente a garantir a liberdade e o florescer dos potenciais latentes no homem.
Deste modo, seu pensamento se equivoca e recai numa confiança exacerbada na figura do homem, ao crer que todos os indivíduos alheios ao poder regulamentador irão caminhar de forma reta de modo a não gerar a degeneração do próximo e da coletividade pelo egoísmo e outras paixões menores. Incorre no mesmo erro que critica em uma famosa citação sua de crítica ao Marxismo, onde esse diz que quando os operários "tão logo se tornem governantes ou representantes do povo, cessarão de ser operários e pôr-se-ão a observar o mundo proletário de cima do Estado; não mais representarão o povo, mas a si mesmos e suas pretensões de governá-lo".
19:12 - 29.12.2007Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza
"Quem deseja, sofre; quem vive, deseja; a vida é dor." (Arthur Schopenhauer)
A dor é positiva e professora, nos leva à superação de nossos limites e nos torna mais fortes. Não deveríamos negar o valor da dor, e muito menos temê-la. Ela nos protege e nos aponta quando algo vai mal, seja com nosso corpo ou com a nossa mente. A dor induz à reflexão, ao questionamento - e o questionamento induz à verdade. E a verdade, é que não há dores insuportáveis pois essas são passageiras, possuem um fim em si mesma. Não há dores eternas, pois tudo flui. Há seres eternos - que buscam viver sem dor. Eis que há a superação eterna da dor, pois não há mais motivo para se tê-la - quando se compreende a essência da dor e de todos os sentimentos - a força motivadora, plástica, infinita e absoluta encontrada em todo o universo e disponível para os seres que sabem lidar com ela. Que Schopenhauer me perdoe, mas a vidanão é dor - a vida é a superação de nossos limites incluindo aí a dor. E a superação é eterna, um eliminar gradual de nossas imperfeições rumo a nossa jornada de compreensão das verdades universais.
12:46 - 29.12.2007Blogs dos Articulistas >> Raphael Bortoli de Souza
Malabarismos e malabarismos de Nietzsche, ele não consegue o essencial:
Negar a verdade.
Incluindo-se no rol dos ateístas que crêem na sua verdade, critica a si mesmo e o ser enquanto a natureza própria desse: a de viver, e portanto ter vontade. Conclui: "É preferivel querer o nada, a nada querer."
Traduzindo: "É preferível querer o inexistente, a nada querer. É preferível querer a utopia, querer o absurdo, a nada querer."
Em seus malabarismos, Nietzsche nega a si mesmo enquanto ser que busca a realidade. Deseja buscar um sentido essencial a sua negação ao ideal ascético. E não consegue. Caminha para a ciência, e essa lhe diz não. Caminha para o ateísmo - e pasmem - esse lhe diz não!
Caminha para o passado do ser, esse sim, viril, forte, livre-pensador, "negador da verdade", e portanto livre, esse sim muito livre para agir, destruindo o próximo - e consequentemente, a si mesmo...
Busca - e quase obtém sucesso - um contra-ideal ascético no ser primata, mas se esquece que o ser que age assim, busca afirmar a si mesmo. Inevitavelmente, renasce o ascetismo - mais vigoroso do que nunca.
21:36 - 12.12.2007Proto Filosofia >> A Origem do Homem
Publicado em: Jornal Correio Popular, Campinas, 15/12/2000.
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- Renato Sabbatini
Quando Charles Darwin, na metade do século passado, percebeu o alcance de sua teoria sobre o mecanismo da evolução das espécies, ele ficou literalmente paralisado de medo. A conseqüência lógica e irrefutável de tudo o que ele tinha descoberto era que a espécie humana não teria sido criada separadamente dos outros seres vivos, como afirmavam as Escrituras das três maiores religiões monoteístas, mas sim evoluído a partir de espécies inferiores e já extintas, antecessoras dos macacos antropóides, como o chimpanzé, o gorila e o orangotango.
No Tractatus, as proposições e a linguagem em geral repousam na noção de "nome", o qual é definido pelo autor como um signo simples empregado nas sentenças. O signo simples não é composto por outros signos, como é o caso, por exemplo, da expressão "as ruas da capital da Inglaterra"; a palavra "Londres", ao contrário, satisfaz a exigência de simplicidade. Além de dever ser um signo simples, o nome, para Wittgenstein, deve satisfazer a uma outra exigência, qual seja, a de representar uma coisa simples, que ele chama "objeto". No Tractatus, os objetos são concebidos como absolutamente simples, e não simples apenas em relação com algum sistema de notação. Segundo o filósofo, os objetos formam a substância do mundo, e por isso mesmo não podem ser compostos; a substância é o que subsiste independentemente do que ocorre; o fixo, o subsistente e o objeto são um só, enquanto a configuração constitui o mutável o instável.
12:10 - 16.12.2007Temas Filosóficos >> Ontologia e Cosmologia
Na Metafísica, IV, 1, Aristóteles empregava estas palavras: "Há uma ciência que estuda o Ser enquanto ser, e seus atributos essenciais, Ela não se confunde com nenhuma das outras ciências chamadas particulares, pois nenhuma delas considera o Ser em geral, enquanto ser, mas, recortando uma certa parte do ser, somente desta parte estudam o atributo essencial; como, por exemplo, procedem as ciências matemáticas".
Mas já que procuramos os primeiros princípios e as causas mais elevadas, é evidente que existe necessariamente alguma realidade à qual tais princípios e causas pertencem, em virtude de sua própria natureza. Se, pois. os filósofos, que buscavam os seres, procurassem esses mesmos princípios, resultaria daí necessariamente que os elementos do Ser são elementos deste, não; enquanto acidente, mas enquanto ser. Eis por que devemos estudar as causas primeiras do "Ser enquanto ser."
Estas palavras de Aristóteles sobre a filosofia primeira (proto philosophia a philosophia prima dos escolásticos) são ainda o melhor e mais claro enunciado sobre a ciência em que ora penetramos, a Ontologia ou Metafísica Geral. Assim também é chamada, porque estuda o ser enquanto ser, isto é, tomando-o na sua maior universalidade.
18:54 - 05.12.2007Temas Filosóficos >> Filosofia da Religião
O estudo filosófico dos conceitos e afirmações religiosas. Apesar da multiplicidade de religiões com diferentes cultos, mitos e práticas, os filósofos têm-se tradicionalmente centrado nas religiões dominantes no ocidente — o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Uma das razões deve-se ao facto de estas religiões fornecerem visões complexas acerca do modo como o mundo e o universo se comportam, ao contrário do que se passa com as religiões orientais — como o hinduísmo, o budismo e o confucionismo — que se preocupam mais em propor formas de conduta e de viver. O que interessa em geral aos filósofos é saber se a visão religiosa do universo é ou não verdadeira.
19:57 - 21.12.2007Temas Filosóficos >> Lógica e Linguagem
por Oswaldo Chateaubriand
A lógica se apresenta na prática contemporânea como uma multiplicidade de sistemas formais conceitualizados lingüística e matematicamente. Uma lógica (e, de modo mais geral, um sistema formal) é concebida como uma linguagem composta de uma sintaxe e de uma semântica. A sintaxe inclui tudo o que pode ser tratado como uma combinatória de símbolos, sem considerar quaisquer conteúdos que esses símbolos possam ter - isto é, sem considerar o que os símbolos simbolizam.
A formulação da linguagem (a gramática) é um aspecto central da sintaxe, mas esta não se restringe à gramática. Também a prova é tratada sintaticamente como constituída de operações (isto é, regras de inferência) realizadas sobre seqüências de símbolos de certas categorias como fórmulas e sentenças. Considerando uma totalidade de aplicações dessas operações pode-se definir as noções de dedução lógica, consistência lógica e teorema lógico, que juntamente com certas noções de definição (definição abreviativa, definição recursiva), são as principais noções sintáticas da lógica.
A semântica de uma linguagem lógica é baseada na noção de interpretação (ou de estrutura). Esta é uma noção que pertence principalmente à teoria de conjuntos e que envolve um universo de discurso - um conjunto não vazio - e uma função de denotação que atribui a vários símbolos denotações relativas ao universo de discurso. Pode-se, assim, introduzir as noções de satisfação e verdade relativas a uma interpretação. Considerando uma totalidade de interpretações, pode-se definir as noções de conseqüência lógica, satisfatibilidade e verdade lógica, bem como uma noção semântica de definição como individuação, que são as principais noções semânticas da lógica.
21:11 - 21.12.2007Temas Filosóficos >> Lógica e Linguagem
por Mark Sainsbury
Há uma velha tradição segundo a qual há dois ramos da lógica: a lógica dedutiva e a indutiva. Mais recentemente, as diferenças entre estas disciplinas tornaram-se tão profundas que a maior parte das pessoas usam hoje em dia o termo "lógica" com o significado de lógica dedutiva, reservando termos como "teoria da confirmação" para abranger pelo